Cultura
A-ha
por Raul Mozardo, colunista ONNE
Show nostálgico com capacidade total de público
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(Foto: Divulgação) |
Apesar da satisfação dos músicos e do público que lotou o Credicard Hall nesta quarta (10), o clima era de despedida na capital paulista. Lágrimas escorriam nas faces de muitos fãs, principalmente durante as músicas mais badaladas. Parece que será o fim das atividades da banda norueguesa.
Mesmo não tendo falado muita coisa durante o show, o vocalista Morten Harket arriscou algumas frases em português, como “Boa noite São Paulo” e “ Obrigado”. As músicas que abriram o show, que teve apenas 15 minutos de atraso, foram Bandstand, Foot of the montain e Analogue. Algumas recentes, outras mais antigas, formando um apanhado geral da carreira da banda.
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(Foto: Divulgação) |
O público pareceu satisfeito, com exceção de uns murmurinhos no final – “Mas como não tocaram Touchy?!”, ou “E a You are the one?!”, hits fortes no Brasil na década de oitenta. Para ter uma pequena noção de como foi o concerto, basta fechar os olhos, colocar a coletânea de 1991 “Headlines and Deadlines” (da qual boa parte foi o repertório do show), imaginar um barulho de plateia cantando junto e visualizar um grande telão de Led ao fundo da banda.
Ah, acrescente algumas músicas dos álbuns mais recentes. Para alguns, isso pode ser bom ou não, tudo depende do ponto de vista de cada um. O show foi executado de forma que as músicas soassem bem próximas às versões gravadas, porém mais modernizadas é claro. Por outro lado, isso prova certa falta de dinamismo para o formato ao vivo, com poucos diferenciais de performances e criatividade. Mas não podemos dizer que não cumpriram o papel principal que é executar suas músicas bem.
O tecladista Magne Furuholmen constantemente fazia o papel do frontman Morten e animava o público, ora agitando as palmas, ora correndo de lá pra cá nas laterais do palco e fazendo declarações como “Nós amamos São Paulo” (em português), para o delírio das fãs. Posteriormente lançou a “bomba” (em inglês), que todos preferem acreditar que é mentira, “pena que será a última vez”.
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(Foto: Divulgação) |
Pois é, difícil acreditar que uma banda que escreveu uma história tão bacana (gíria usada na década de oitenta) está jogando a toalha muito provavelmente por não se sentir tão a vontade em outras décadas. A música Take on me, que encerrou o show com chave de ouro, fez e faz parte de muitas memórias dos jovens – da época - que usavam tênis de cano alto, roupas coloridas, calças jeans rasgadas e ouviam fita cassete.
Guardadas as devidas proporções, qualquer semelhança com a época atual é mera coincidência. Isso que podemos chamar de reinventar o passado, mas lembrando: o passado só se reinventa de verdade se ele foi bom. E deste passado o a-ha fez parte como poucos outros.
SERVIÇO
Raul Mozardo é Músico, Relações Públicas com especialização em Jornalismo Cultural e Coordenador de Eventos da In Concert Produções e Eventos.
Twitter: @raulmozardo
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