Cultura

O céu não é o limite

por Mirella Fonzar, redação ONNE


Saiba por que a animação UP - Altas Aventuras venceu o Oscar 2010 de “Melhor Animação”


(Foto: Divulgação)

Fato: Quando um filme da Pixar concorre ao Oscar, a expectativa entre os cinéfilos é enorme. Foi assim com os robôs de WALL-E, os ratinhos de Ratatouille e obviamente com a animação de Pete Docter, diretor de Monstros S.A., não poderia ser diferente. Up - Altas Aventuras, o primeiro filme da produtora em formato Disney Digital 3-D, levou a estatueta de “Melhor Animação” neste domingo (07). Mas qual seria o motivo para tamanho sucesso? ONNE explica um pouco da profundidade por traz dessa obra.
 
Depois de arrecadar cerca de US$ 507 milhões nas bilheterias mundiais, o longa concorreu ao prêmio da academia com Coraline e O Mundo Secreto, A Princesa e o Sapo, O Fantástico Sr. Raposo e The Secret of Kells. Mas, ao contrário dos concorrentes, Up segue a fórmula aposta aos contos de fadas. Apesar do roteiro ser baseado em situações de amor e fantasia, o personagem principal, Carl Fredricksen, aparentemente não é nenhum herói Disney: bonitão, jovem e forte. O protagonista é um simples vendedor de balões aposentado, que aos 78 anos está prestes a perder a casa em que passou a vida com sua falecida esposa.

Como a maioria das produções da Pixar, a trama é visivelmente destinada às reflexões da vida adulta. Logo no início, o filme narra rapidamente a trajetória de Carl, que conhece sua esposa Ellie quando criança, mas ao passar do tempo, os dois deixam suas aspirações infantis para lutar e ganhar a vida como adultos normais. Ellie, que desde pequena sonha em desbravar o "Paraíso das Cachoeiras" na América do Sul, passou boa parte da vida pensando nos filhos que gostaria de ter, no entanto nada disso acontece. Carl prometeu que realizaria os sonhos da esposa, mas os dois envelhecem, a amada morre e o vendedor de balões não cumpre suas promessas (Não, esse definitivamente não poderia ser o final da história).

Se o céu não é o limite para este filme, a vida também não. Se você não viu o longa ainda, corra já para a locadora e só  volte a ler essa resenha para entender melhor sobre a profundidade por traz dessa animação. Mas, se você já assistiu, ONNE esclarece parte da semiótica por traz da obra de Pete Docter... Lembra no começo do filme, quando aparecem as nuvens com os bebês e as cegonhas? Aparentemente não tem nada a ver com a trama, certo? Errado. Toda a ideia é exatamente essa: nascimento, renascimento, ou seja, a vida em todas as formas. Continue percebendo a profundidade por traz da obra...     

Se recorda quando Ellie morre e Fredricksen se vê velho e sozinho andando pela casa sem sua amada? Durante aquela cena, a música já ditava o final do filme. A ária da ópera francesa Carmen de Bizet, L'amour est un Oiseau Rebelle - que em português significa “O amor é um pássaro selvagem” - representa a figura de Ellie. Uma mulher aventureira que sonha com filhos, mas que não consegue cumprir seus anseios em vida, por isso continua sua missão depois da morte, assumindo a vida de um pássaro raro e cheio de filhotes. Teoria da conspiração? Provavelmente não. É óbvio que um filme “infantil” não exporia um tema tão polêmico como este abertamente. Por isso são necessárias as mensagens subliminares, é o que chamamos de semiótica. *Lembrando: você não é obrigado a acreditar nisso...      

Por outro lado, o solitário velhinho é forçado a deixar a casa, onde ele e sua falecida esposa viveram juntos, e em vez de mudar-se para um asilo, prende milhares de balões coloridos à casinha e voa rumo ao tão sonhado “Paraíso das Cachoeiras”, para enfim cumprir a promessa que fez a Ellie quando criança. Ao lado do pequeno Russel, um entusiasmado escoteiro mirim de 8 anos, o Senhor Fredricksen vive uma grande aventura à bordo da casa flutuante. A viagem surreal faz com que os personagens reavaliem seus valores. E é no caminho para as cachoeiras que a dupla conhece uma ave gigante e rara, que o menino coloca o nome de Kevin. A ave é muito apegada aos filhotes, mas o macho não aparece hora nenhuma na trama.

Será mera coincidência? Ou Kevin é realmente Ellie? Teorias da conspiração à parte, a mensagem por trás da história mostra que, independente da fase da vida, sempre há tempo para a realização de sonhos, e que talvez nem a própria morte seja um impasse para essa concretização. A fantasia atrai a atenção da criançada pelas cenas, onde a imaginação, a composição gráfica e a riqueza de cores prevalecem. Já os adultos podem enxergar toda aventura como uma grande metáfora, que remete à vida real. Sem contar com a projeção em 3-D, que faz com que o longa fique ainda mais atraente para quem está sentado na poltrona do cinema.



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1 COMENTÁRIO

elizan

O filme é tudo de bom, para reflexão e diversao. Vale a pena conferir.bjus

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