Cultura
Ana Paula Oliveira
por Redação
A artista brinca com o pesado e o leve em suas obras e materializa os sentimentos em sua instalação
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Escultura de vidro de Ana Paula Oliveira |
Em seu trabalho, Ana Paula transformou a sala térrea da galeria em um verdadeiro viveiro, no qual circulam 60 pássaros. Como em obras anteriores, nas quais testava a tensão de materiais rígidos em contraste com outros flexíveis, como madeira e borracha, no atual a artista utiliza vigas de madeira que pressionam placas curvas de vidro, amortecidas por camadas de borracha, contra as janelas da galeria. Como já havia feito em 2003, em Alvorada, no qual utilizou um galo e uma galinha, Ana Paula completa o trabalho com aves vivas, criando um efeito poético e humanizando a cena.
“Meus trabalhos são pesados, até opressivos, e o uso dos animais os tornam mais leves e alegres, com mais vida, realçando o contraste com a aflição da obra”, afirma a artista. A idéia da instalação surgiu após a leitura do emotivo conto de Pirandello, um de seus autores preferidos. Mas Ana Paula não quis utilizar palavras ou frases retiradas do texto para compor sua obra. Ele decidiu recriar em imagens a emoção que sentiu ao ler o conto.
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No trabalho anterior, Pau de Fitas, em 2003, também na Galeria Virgilio, Ana Paula explorou até o limite a tensão de duas pesadas vigas de madeira, pressionadas contra as paredes da galeria com a ajuda de um macaco utilizado para levantar caminhões. As peças, com centenas de quilos, ficavam suspensas sem nenhum apoio no piso, bastando a pressão lateral proporcionada pelo macaco.
Contrastes, pressões, limites e equilíbrio também foram objetos de trabalhos anteriores, nos quais utilizou a viscosidade do sabão e da graxa industrial. Nessas experiências, o volume e a consistência desses dois materiais maleáveis eram contidos com dificuldade por placas de vidro ou de madeira. Algumas vezes, esses dois elementos viscosos transbordavam e se espalhavam pelo chão. Na opinião do crítico José Bento Ferreira, esses materiais representam “um certo sentimento de vida ausente das relações assépticas impostas ao homem contemporâneo.”
Mineira de Uberaba e radicada em São Paulo, a artista atua desde os anos 1990 e já mostrou sua obra em exposições coletivas e individuais no Centro Cultural São Paulo, no Museu Brasileiro de Escultura, no Centro Cultural Maria Antonia, na Galeria 10,20 x 3,60, na Galeria Virgilio, entre outros.
SERVIÇO
Galeria Virgílio
Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426, São Paulo
Fone: 3062 9446 / 3061 2999Website: galeriavirgilio.com.br
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