Entrevista

O poderoso chefão da moda

por Majô Levenstein


Dias antes de ser dada a largada para a 27ª SPFW, o idealizador e diretor artístico da maratona de moda, Paulo Borges, fala sobre as novidades do evento


Paulo Borges fala sobre a maratona de moda paulistana, dias antes de seu início
Nascido em São José do Rio Preto, a 451 quilômetros da capital paulista, Paulo Borges tem 46 anos, muito bem vividos, sim, senhor, especialmente no que se refere ao universo fashion. Idealizador e diretor artístico da São Paulo Fashion Week, que chega à sua 27ª edição a partir desta segunda-feira (15) - dois dias antes da abertura oficial dos desfiles, a quarta-feira (17) -  Paulo começou sua carreira no mundo da moda nos anos 80, trabalhando com a jornalista Regina Guerreiro, na revista Vogue Brasil. Já no início da década de 90, produziu desfiles para estilistas brasileiros em uma época em que a moda ainda não era vista como negócio, no país. Em 1993, a partir de uma parceria com uma empresa de cosméticos, lançou o Phytoervas Fashion, evento de moda que comandou por três anos, antes de fundar, em 1997, o Morumbi Fashion, evento que mais tarde veio a se tornar a São Paulo Fashion Week, principal referência para o calendário do mercado de moda brasileiro e do mundo, já que está entre as cinco semanas de moda mais importantes do planeta, ao lado de Nova York, Milão, Paris e Londres. Além disso tudo, Paulo Borges é diretor do Fashion Rio, das publicações Revista MAG!, SPFW Journal e do portal da SPFW.
A seguir, confira sua entrevista, concedida dias antes da nova edição da maratona de moda, que traz as novidades para o verão 2010 e vem embalada sob o tema O Ano da França no Brasil.

O que esta edição traz de novidades?
Esta será a maior edição da nossa história. É a primeira vez que a semana  de moda começa sem desfiles. Na segunda-feira (dia 15), haverá uma aula magna com Didier Grumbach, presidente da Federação Francesa de Costura, e depois o lançamento de seu livro, História da Moda, uma obra de referência em todo mundo. Na terça-feira (dia 16), haverá  a entrevista coletiva, e, à noite, uma festa, em homenagem e uma celebração a Bethy Lagardère, esta franco-brasileira que vive moda, que personifica a moda e, neste Ano da França no Brasil, do qual a SPFW faz parte do calendário oficial. Esta festa será para 400 pessoas, no 9º andar do Shopping Iguatemi, e, além da homenagem, será lançado o documentário Bonjour, Madame, mostrando a vida de Bethy em Paris e com depoimentos de Gaultier, Alaya e outras personalidades da moda. Também será lançada a edição especial da revista MAG!, com várias novidades.

Quais são essas novidades da MAG?
A edição terá duas revistas, Passion e Paixão. Passion é totalmente dedicada à Bethy, mostrando sua trajetória desde que saiu do Brasil até hoje. Paixão tem editoriais diferenciados, inclusive um de 64 páginas sobre o processo de criação da alta costura francesa, da inspiração, passando pelos desenhos e por toda construção, a reportagem mostra os bastidores da Maison Chanel de forma exclusiva para a MAG!. Os convidados da festa receberão uma caixa especial com as duas revistas, DVD com editoriais de moda feitos por Zee Nunes, Duda Molinos e Décio Pinheiro, uma ametista, uma Havaianas Passion, um perfume criado especialmente pela Natura – perfume SPFW e duas bandeiras: uma do Brasil, outra da França, especialmente confeccionadas em seda pura brasileira.

Bethy Lagardére: personificação do amor franco-brasileiro e ícone da moda
Por que Bethy Lagardére como homenageada?
Como já disse, ela é uma pessoa que viveu e vive a moda como ninguém. Tem uma coleção de alta costura sem igual, traz uma história fantástica. Brasileira, morou na França e sintetiza mais do que ninguém a admiração de um país pelo outro.  Em suas festas e recepções, mistura pão  de queijo, caviar, guaraná e champanhe, de forma única e elegante. Conviveu e convive com os maiores criadores de nosso tempo. É um ícone no Brasil e na França. Precisa dizer mais? E só ver a exposição que acontece na Bienal durante a SPFW, e que depois ficará 15 dias no Shopping Iguatemi, em São Paulo, e assistir ao documentário que será exibido exclusivamente no canal GNT para todo o Brasil.

Como é a exposição?
Ela estará no terceiro andar da Bienal. São as peças de alta costura dela, com criações de Yves Saint Laurent, Karl Lagerfeld (para Chanel e para sua marca própria), Jean Paul Gaultier, Givenchy, Dior, Pierre Cardin, Balenciaga e muitos outros. O documentário, com 25 minutos de duração, será exibido em telas de plasma, ininterruptamente, além de ser mostrado no GNT.

Fale mais da SPFW.
Esta edição traz também a maior mudança arquitetônica desde que a SPFW está no prédio da Bienal. Os espaços estarão ocupados de maneira diferente, desde a sala de produção até os lounges, o Bar das Águas, até em termos das outras exposições que vão acontecer. Até os materiais são diferentes. Daniela Thomas e Felipe Tassara se basearam em tradições francesas. Há espelhos, veludos, muitas imagens, sempre com o olhar brasileiro.

E quais são as outras exposições?
Teremos a exposição da Federação Francesa de Alta Costura, com criações de oito estilistas da nova geração de criadores - e dela faz parte um brasileiro, Gustavo Lins. Ela estará bem na entrada da Bienal, com um formato circular e poderá ser vista por pessoas que não irão assistir aos desfiles. No segundo andar, haverá a exposição da estilista francesa Sakina M’as, que estabelece uma relação entre associações de mulheres na França e no Brasil, a partir da customização de peças criadas por ela. Esse trabalho servirá de inspiração para a coleção que ela apresentará no Carrousel du Louvre, ainda neste ano, e em uma exposição em 2010. Ela faz um trabalho de vanguarda e deve fazer uma performance durante a SPFW.

Filmes, festa, livro, revistas, exposições, performances. E a moda?
Tudo Isso é moda. Todo este trabalho, tirando a festa,  é coordenado pelo In-Mod, dentro de um processo onde a SPFW é uma plataforma de convergência de várias manifestações que convergem para a moda. E todas estas performances, exposições, livro, filmes reforçam a importância da moda hoje.

Haverá, a exemplo da edição passada, a loja pop up?
Sim, foi um sucesso na última edição. A loja  terá um espaço maior, com a presença de um corredor da loja Colette, de Paris, que inclusive criou uma camiseta especial para a SPFW.

E a atual crise financeira mundial? Afetou o evento?
Esta edição é a que tem o maior investimento desde o início da SPFW. Não cabe a mim falar sobre a crise. O fato é que o Brasil está diferente da grande maioria dos países do mundo, em uma situação melhor.

Em janeiro, a chuva de bolas foi a surpresa do final da SPFW. O que acontecerá agora?
Mais uma surpresa (risos).

Capa da revista MAG!, que traz duas capas: Passion e Paixão



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