Moda

Praia couture

por Redação


Estilista Adriana Degreas construiu um novo e sofisticado conceito de moda praia


Fachada da loja em São Paulo
Adriana Degreas está revolucionando a moda praia. Seus biquínis e maiôs são extremamente sofisticados, tanto que a estilista descreve suas peças como “alta costura da praia”. Ela cria para a Daslu e para grifes como Neon. Seus biquínis são confeccionados com fios de elastano da melhor qualidade em misturas com tecidos finos, como seda pura.


As peças da marca primam pela elegância, mas sem deixar de lado a sensualidade. Adriana abusa dos tecidos fluidos e metalizados. Muito brilho e feminilidade são a marca registrada. A grife conquistou as brasileiras e suas peças já são vendidas em países como Áustria, Espanha, Grécia, Itália, França e Líbano. Adriana inaugurou recentemente uma loja nos Jardins, em São Paulo, e já está com planos de expansão.


Conversamos com exclusividade com ela. Confira!


ONNE: O que torna o seu biquíni tão especial para ser chamado de “alta costura da praia”?

Adriana Degreas: Acho que a diferença está na técnica de modelagem. Eu gosto muito de usar seda pura, principalmente nas peças da linha conceitual. Nesta última coleção, usei bastante gazar de seda misturado com lycra. Então, eu acho que esta coisa de eu pretensiosamente falar que é alta costura da praia está mais relacionado a uma construção diferenciada. Eu uso muitos materiais, coloco até mesmo cristais Swarovski. Por isso, acho que a diferença fica mais por conta da estrutura, não dos aviamentos


A estilista Adriana Degreas
ONNE: Sua família também trabalha no ramo? Como a tradição familiar te ajudou a abrir o negócio?

AD: Minha família tem uma marca de moda praia, mas é mais voltada para o mercado atacadista. É uma produção muito maior. As minhas peças têm muitas diferenças conceituais. Até mesmo na loja nova, eu procurei descaracterizar completamente o espaço deste conceito “praia”. Quanto à tradição familiar, ela me ajudou, tornou tudo mais fácil. Tinha toda uma estrutura por trás, tinha as portas abertas nesse mercado. Mas, ao mesmo tempo eu investi em uma estratégia de mercado muito diferente, quis lançar uma marca que não fosse simplesmente mais uma. Todos pensam no tropicalismo quando falam em moda praia, mas eu fiz o caminho inverso. Ao invés de levar esse estilo para fora, trouxe o que há de mais sofisticado lá fora para cá. Quis fazer uma coisa nova em um mercado que está muito saturado. Minha marca tem uma identidade forte, é mais voltada para uma mulher um pouco mais velha, mais sofisticada e muito bem resolvida. Faço biquínis e maiôs para mulheres que não tomam sol e que não seguem modismos.


ONNE: Como segurar o faturamento no inverno? A exportação garante esse período?

AD: Nosso número de exportação não é tão alto assim ainda. Estamos em lugares muito legais, como, por exemplo, a Sak’s em Dubai. Mas, o caminho é longo. É claro que sofremos com a sazonalidade dos produtos, assim como qualquer grife de moda praia. Criamos algumas peças diferenciadas no inverno do ano passado. Percebemos que algumas clientes gostavam dos nossos produtos e queriam continuar vestindo a marca mesmo no inverno. Criamos alguns vestidos para a noite e peças esportivas, mas sempre mantendo o glamour da nossa grife. Agora, a nova loja requer mais investimento também nesta estação.

Ultra sofisticada:detalhes da nova loja nos Jardins

ONNE: A loja que vocês abriram é a primeira da grife? Por que decidiram abrir um ponto na rua?

AD: Sim, é a primeira loja da marca. Eu vendia em multimarcas e as peças começaram a fazer sucesso. Então, a gente pensou: por que não ir para o varejo? Inicialmente queríamos ir para o Shopping Iguatemi, mas não deu certo, então abrimos na rua. Nossos próximos passos serão a loja no Iguatemi e quem sabe uma loja no exterior, em Nova York talvez.


ONNE: Existe realmente diferença entre a modelagem brasileira e a estrangeira?

AD: A modelagem brasileira com a européia nem tanto, a diferença é mais física mesmo, de tamanho. As italianas, por exemplo, têm seios enormes, que não caberiam em biquínis brasileiros. Por isso, o corte acaba sendo um pouco diferente. Agora, em relação à modelagem dos Estados Unidos, é completamente diferente. Não adianta tentar fazer uma americana vestir um biquíni brasileiro, elas simplesmente não entendem os nossos modelos.


ONNE: Com toda essa diferença, você consegue vender os seus biquínis com facilidade em outros países?

AD: Eu tinha um showroom em Nova York. Tive muita dificuldade por lá, porque não há espaço para sofisticação na moda praia americana. Eles queriam biquínis com aquele toque de tropicalismo que são tão conhecidos. Eu tentei, mas não é o que eu gosto, não tenho mão para fazer esse tipo de moda praia. Então, passei a me dedicar mais ao mercado europeu.

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