Entrevista
O homem do turismo
por Cesar Giobbi
Caio Luiz de Carvalho fala sobre planos e investimentos para a Copa do Mundo de 2014
A Copa do Mundo de 2014 está próxima. Para o Brasil vai ser ótimo. As 12 cidades que sediarem jogos vão se beneficiar de obras de infraestrutura. Mas o País todo ganhará visibilidade positiva, desde que tudo saia direito. Esta é a grande preocupação. Para muitos, já estamos atrasados. Caio Luiz de Carvalho, presidente da SPTuris, faz parte da comissão paulista para aquela copa. A dois meses da escolha definitiva das cidades brasileiras que receberão o evento, o maior do mundo em termos de valores e de telespectadores – na copa da África do Sul são calculados 20 bilhões de pessoas grudadas na tevê - Carvalho não tem dúvida de que São Paulo estará entre as 12. E que a abertura da Copa será aqui. E conta como a cidade vai se preparar para isso.
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Caio Luiz de Carvalho, presidente da SPTuris |
Sobre infraestrutura: “Quando se pensa em Copa do Mundo, todo mundo pensa em estádios. Só que, além do estádio, o maior problema é da mobilidade urbana, transporte de massa. Depois vêm as vagas em hotéis, as preocupações ambientais. São Paulo é a cidade mais preparada para isso. Imagine que a Fifa exige que o país sede tenha pelo menos 40 mil leitos disponíveis. Só a cidade de São Paulo tem 42 mil, o mesmo número que Nova York. E acho que até 2014 teremos um aumento de cerca de 20% nesse número. Além do mais, quanto à demanda de assitência média perto do estádio, temos ao lado do Morumbi não só o Albert Einstein, como o São Luiz, que atende a Fórmula 1 no circuito”, começa Caio.
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Ricardo Teixeira, ex-desafeto, agora amigo |
Quero saber se a Lei Cidade Limpa vai atrapalhar os patrocinadores, que não poderão espalhar seus logos por São Paulo. Visa, Sony, Itau, já estão certos. A dúvida é sobre a Coca Cola. O que se diz é que isso pode até inviabilizar a candidatura de São Paulo. Caio diz que isso tudo é ficção: “A Fifa não exige nada de espalhar logos de patrocinadores pela cidade. Ela quer o estádio limpo, para que lá, sim, as marcas sejam expostas e a televisão as mostre ao mundo todo. A Fifa proíbe patrocinadores conflitantes na cidade, e exige isenção de ISS e ICMS das cidades e estados sedes. A Câmara de São Paulo já aprovou a isenção em novembro passado. Além disso, em todos os jogos, 1 km em volta dos estádios fica bloqueado. Nesta zona, haverá tendas dos patrocinadores com suas marcas. Só em dias de jogos. E só naquele local. Não vejo como isso fira a lei”.
E os investimentos? “O governador José Serra já separou R$ 20 bilhões para investimento em infraestrutura de transporte público na região metropolitana. E o prefeito Gilberto Kassab investirá pelo menos R$ 2 bilhões. Deve haver verba federal também. O Estado vai terminar a Linha Amarela do Metrô, fazer a Linha Laranja (da Freguesia até o Pacaembu), mais o Expresso Aeroporto que sairá do terminal 3 de Guarulhos para a Estação da Luz, mais o Expresso Jabaquara, com trens de superfície, para ligar aquele terminal a Congonhas, mais a recuperação de 274 km de malha férrea da CPTM, mais a Perimetral e o término do Rodoanel”, diz Caio. Que acrescenta que todo esse plano está nas mãos de Francisco Luna, secretário de Estado de Planejamento.
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Kassab e Serra, investimentos para a Copa |
E aquela história de se construir um novo estádio público em São Paulo? Caio é contra. “Não podemos repetir o que foi feito no Rio para o Pan. O orçamento de R$ 300 milhões foi multiplicado por dez, e agora sobraram obras que ninguém sabe como usar. São Paulo já tem o Morumbi, o Pacaembu, o Palmeiras, a Portuguesa. Para a abertura dos jogos, a Fifa quer estádio para 65 mil pessoas, ao custo de US$ 800 milhões ou mais. Fazer mais um? Quem paga se for público? E depois, fica para quem? Já há um consenso em São Paulo de que devemos reformar o Morumbi. O São Paulo Futebol Clube assumiu esse compromisso. Há dois projetos. O que cobre o Estádio, do Ruy Ohtake, que custa por volta de US$ 250 milhões. Aliás, só São Paulo, Porto Alegre, Curitiba e Natal têm estádios que serão reformados com dinheiro privado. As demais cidades precisarão de investimento público para isso”. E se o SPFC não conseguir verba privada para fazer? “Bom, temos até o dia 30 de maio, quando as 12 cidades brasileiras serão definidas. E no dia 1º de novembro vem a primeira inspeção séria da Fifa. Aí saberemos”, diz ele. E acrescenta: “Vi projetos lindos apresentados pelas 16 cidades pretendentes, ao custo somado de R$ 3 bilhões. Só que, até agora, não vi um único tijolo colocado. Aqui, pelo menos, a Visa já trocou as cadeiras do Morumbi e a Globo reformou o portão 17. É preciso lembrar também que não há dinheiro disponível no mercado internacional, e que 2010 é ano de eleições no Brasil. Eu diria que, com tudo isso, já estamos atrasados”.
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