Entrevista
Cuidados com a terceira idade
por Cesar Giobbi
Christiane D'Andrea fala sobre o Hiléa, um empreendimento dirigido para o público idoso
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O prédio do Hiléa. no Morumbi, centro de atendimento para a terceira idade |
O Brasil está envelhecendo. Quer dizer, o brasileiro. Nossa expectativa de vida cresce à medida em que a medicina faz progressos e a qualidade de vida do brasileiro melhora. Cálculos indicam que, em 2020, seremos cerca de 32 milhões de brasileiros com mais de 60 anos. Sim, eu sei, não se irritem comigo, aos 60 anos ninguém pode mais ser considerado idoso. Nem aos 70, eu diria. Mas as estatítiscas sociais e médicas ainda colocam a porta da terceira idade neste aniversário. Também é dado como certo, hoje, que quem chega até os 60 tem todas as chances de viver por pelo menos mais 25, 28 anos. Ou seja, esta última etapa pode ser longa. Portanto, senhores empresários e profissionais liberais, quem investir em serviços, consumo, bens patrimoniais para este nicho da população estará fazendo uma aposta segura.
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Cristiane D'Andrea, diretora do empreendimento |
Cristiane, formada pela FGV, é do ramo. Vem de uma família de donos de hospital, o Nossa Senhora de Lourdes, onde ela criou o Hospital da Criança, e onde deu vez, em 1991, aos Doutores da Alegria. Em 2001 sua família vendeu o hospital, e ela começou a formatar este projeto para a terceira idade. “Se eu soubesse, na época, que ia levar seis anos para sair, talvez tivesse desistido. A idéia já existia, pela experiência com idosos no hospital da família. O Brasil não está acostumado a enxergar o idoso. Não há praticamente nada dirigido a ele no mercado imobiliário. Mas os idosos brasileiros são uma realidade. Em Copacabana, por exemplo, 30% da população tem mais de 60 anos. São muitos. E normalmente bem de vida, com aposentadorias, patrimônio, uma condição financeira melhor que a dos jovens. Um mercado inexplorado. Ao mesmo tempo, o País precisa estudar estes números e encontrar soluções para a Previdência, para a Saúde”, analisa ela.
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O quarto, com todos os equipamentos |
“Tudo aqui foi pensado no idoso que já tem problemas de memória. Os quartos são todos individuais, com área confortável. As camas são alemãs, hospitalares, com todo o equipamento possível, mas disfarçadas, para o quarto não ficar com ar de hospital. Na parede atrás da cabeceira há todas as tomadas e entradas necessárias para um atendimento de urgência, mas escondidas atrás de um quadro que desliza para o lado. Muitos armários, para quem vai morar. E um banheiro grande, com porta grande, pensado para cadeirantes também, e com dois tons de parede para que o paciente enxergue o fundo, e o vaso bem de frente para a porta. O idoso às vezes sente uma indisposição e não lembra que está com vontade de ir ao banheiro. Há um trilho que percorre o quarto até o banheiro, com um guincho para os que não conseguem se levantar”, explica Cristiane. São 119 quartos, 41 deles ocupados. Os demais pacientes chegam para o dia ou para usar os equipamentos. Em cada andar, pensado no conceito osso de cachorro, há um lounge num dos lados e um refeitório no outro, assim o paciente tem de andar ou se locomover, criando uma atividade.
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A sala de convivência dos idosos |
No andar térreo há um grande salão, onde são organizados os bingos, o restaurante, muito chique, uma sala de jantar menor para reuniões familiares, as cozinhas e um auditório para cinema, shows e palestras. No primeiro subsolo estão a mencionada praça e os consultórios de geriatria, oftalmologia, fonoaudiologia. No segundo subsolo, as piscinas, salas de terapias ocupacionais, de reabilitação, massagem, os consultórios de fisioterapia, o cabeleireiro e o barbeiro. Nos andares superiores, a administração e os quartos. A complexidade atendida vai até a semi-UTI. Toda a parte médica é da própria Hiléa. E as enfermeiras não vestem branco, de propósito.
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A academia de ginástica com aparelhos adequados |
Internar um parente ainda é psicologicamente complicado no Brasil. “As pessoas não estão acostumadas a ver serviços como o que oferecemos. A impressão do internamento de idosos é sempre muito ruim e revestida de culpa. Dos dois lados. Fiz muitas entrevistas e concluí que os que internam sentem culpa por não cuidar pessoalmente, e os internos sentem culpa por não gostar dos cuidados que recebem, embora saibam que custam. É preciso rever estas culpas. É preciso pensar que quem traz o idoso para cá está cuidando. E depois, não sentir-se culpado por não ter culpa. Não é fácil. Aqui, temos psicólogos para atender o paciente, os familiares e os funcionários. O que é preciso é de uma mudança cultural no paradigma do cuidado”, diz Cristiane.
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A equipe que trabalha no Hiléa, sempre a postos para um atendimento digno |
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2 COMENTÁRIOS
Juliana
adorei sua matéria.. tenho 18 anos e acho correto pensar lá na frente. fica c DEUS beijossss
Claudia Maria de Quadros Simonetti
Sei que é uma utopia, mas era pra ter um empreendimento desses para TODOS os idosos, não fosse a ganância de nossos políticos que enriquecem mais e mais a custa do povo brasileiro. Como eu gostaria de poder morar num lugar como esse, quando chegasse a minha hora!
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