Esportes
Jovens talentos, grandes investimentos
por André Sender
O início da carreira esportiva pode ser um trampolim para o mundo ou um atalho para o esquecimento
A vida profissional de atletas de alto rendimento, no geral, é muito curta. Porém, há algumas categorias desportivas em que esse fenômeno é ainda mais acentuado, como a ginástica artística, por exemplo. No esporte de Daiane dos Santos, Jade Barbosa e Daniele Hipólito, a aposentadoria costuma vir antes dos 30 anos.
Em compensação, não é estranho que atletas com 17 anos participem de Campeonatos Mundiais e Olimpíadas. Nestes jogos, especificamente, houve forte polêmica envolvendo a delegação chinesa: desconfiava-se que atletas do país tinham menos de 16 anos completos, idade mínima para competir.
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Pelé, com apenas 17 anos de idade |
Em outras modalidades, a idade média para os atletas despontarem é um pouco mais alta. No futebol, os craques de bola se destacam desde as categorias juvenis, mas normalmente só atingem o status de estrela quando já são mais maduros. Claro que há exceções a essa regra. O próprio Pelé é uma.
Antes dos 18 anos, Pelé já era campeão do mundo, com direito a golaço na final contra a Suécia. Outros grandes jogadores também adquiriram muita fama antes de sair da adolescência. É o caso de Kaká, que com apenas 19 anos decidiu o torneio Rio-São Paulo de 2001 para o tricolor paulista; e Robinho, aos 18 anos estrela do Brasileirão de 2002, coroado com as famosas pedaladas para cima do lateral Rogério, na final entre Santos e Corinthians.
Mas esse lançamento precoce de talentos não é exclusividade do futebol. Oscar Schmidt, grande figura do basquete nacional, tinha só 19 anos de idade quando comemorou pela primeira vez o título de campeão sul-americano, em 1977.
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Kaká no dia em que despontou para o futebol mundial |
Giba, capitão da seleção brasileira de vôlei, também despontou para o estrelato ainda jovem. No ano em que assoprou as velinhas pela vigésima vez, Giba já tinha em sua estante a medalha da Copa do Brasil de vôlei.
Como você pode ver, exemplos de jovens talentos que despontaram no esporte nacional não faltam. Isso não é à toa: como a maioria dos atletas provém das camadas mais pobres da população, há pressão para que, ainda jovens, eles assumam encargos financeiros dentro da própria família.
Basta pensar que, aos 17 anos, o fenômeno Ronaldo deixou o Cruzeiro para atuar pelo clube holandês PSV, na então mais cara transação do futebol brasileiro: US$ 6 milhões. Vale lembrar que o atacante recebeu 15% desse valor, ou seja: US$ 900 mil.
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