Arco-Íris
Na tela do cinema
por Carlos Hee
A estréia do filme argentino La León deixa claro que o universo gay está à margem do cinema brasileiro
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Daniel Valenzuela e Jorge Román, em La León, drama no delta do Rio Paraná |
Estreou sexta-feira, em apenas uma sala de São Paulo (Unibanco Arteplex 4) e outra do Rio (Estação Botafogo 3), o filme argentino La León, que marca a estréia do diretor Santiago Otheguy. Deverá passar quase em branco. Não tem um apelo comercial forte e foge do atual cinema que se faz baseado nas grandes produções de Hollywood ou do naturalismo da televisão. Filmado em preto e branco - mais um motivo para afastar o público -, mostra a miserável existência de uma comunidade à beira do delta do Rio Paraná, na Argetina. O centro da trama é o solitário pescador Álvaro (Jorge Román), um homossexual que vive entre velhos colhedores de junco, paraguaios clandestinos que roubam madeira da floresta e o dono truculento de um barco, Turu (Daniel Valenzuela) - único meio de transporte da região - que conhece os desejos sexuais camuflados de Álvaro e usa isso para torturá-lo emocionalmente.
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Lá León, homossexualidade em preto e branco |
O filme de Otheguy não deverá ser sucesso, mas serve para se conhecer o cinema que se faz na Argentina voltado para a temática LGBT. Ele não é o único. Outros diretores argentinos se debruçam sobre o universo gay e produzem filmes que jamais seriam produzidos no Brasil. A diretora Anahí Berneri vai por um caminho diferente de Otheguy.
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Um Ano Sem Amor, inédito no Brasil |
Esses são só dois exemplos do que se faz na argentina atualmente. Exemplos diametralmente opostos em linguagem cinematográfica. Mas que mostram que no país vizinho o universo gay tem espaço, ao contrário da cinematografia brasileira, que mesmo nesta fase de euforia passa ao largo da temática LGBT. Podem ser contados nos dedos de uma só mão, os filmes nacionais que ousaram abordar qualquer tema homossexual, sem contar os curtas-metragens que devido ao experimentalismo passeiam pelo tema. Quando se colocam personagens gays em filmes, novelas, seriados, miniséries, o que se vê não passa de caricatura e, quase sempre, motivo de chacota. Infelizmente, no cinema brasileiro, o gay ainda vive à margem.
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