Entrevista

Executivo dos ares

por Cesar Giobbi


Erli Rodrigues deixa a direção geral da American Airlines no Brasil e conta os novos planos da empresa


Erli Rodrigues sai da direção geral da American Airlines no Brasil, mas não deixa a empresa

Erli Rodrigues vai deixar a direção geral da American Airlines no Brasil, no dia 30 de setembro. Se aposenta pela AA, que o recontrata como diretor para cuidar das relações com o governo e com a indústria. E sem expediente obrigatório. Fica à disposição da empresa, mas sai do dia a dia. Um prêmio depois quase 18 anos no cargo. Terá tempo para negócios particulares. E para viajar mais para fazer turismo, coisa que ele teve pouca oportunidade de fazer, o que parece incrível para um diretor de companhia aera. Mas assim foi: as milhares de viagens que fez, na imensa maioria, foram a trabalho.
Sua sucessão já está decidida:  Dilson Verçosa Jr., que trabalhou com ele este tempo todo assume a direção geral sem deixar a comercial, que já exerce; e José Roberto Trinca continua na direção de vendas. Com o aumento de vôos que se espera este ano, foi criado o cargo de diretor de aeroportos, que será ocupado por Rafael Sanchez, que vem da República Dominicana.
Mais vôos? "Sim, houve uma renegociação dos vôos entre os Estados Unidos e o Brasil, e a American Airlines ganhou mais 10 frequências semanais. A partir de novembro, teremos vôos diretos diários  ligando Recife e Salvador a Miami, e três vezes por semana para Belo Horizonte. No total, teremos 57 vôos semanais em temporada normal, podendo subir para 64 em picos de temporada (verão americano e verão brasileiro)", conta Erli. Que explica: "Até agora eram previstos, por acordo bilateral, 105 vôos entre Brasil e Estados Unidos para companhias nacionais e outros 105 para companhias americanas.  Agora, entraram 21 novas freqüências. Das empresas brasileiras que iam para os Estados Unidos, sobrou a TAM. Ou seja, os brasileiros não estão usando nem metade da cota. As companhias americanas (as demais são a Continental,  a Delta e a United) usam tudo.  E a AA tem quase metade dessa cota. Aliás, a AA tem hoje 40% do mercado para a  América do Norte,  Latina e Caribe".

American Airlines, 40% do mercado latino
Erli Rodrigues, além de um expert, é uma testemunha de tudo o que aconteceu na aviação comercial nos últimos  30 anos, pelo menos.  Foi diretor da Braniff, depois foi diretor da Pan Am por sete anos antes de entrar para a AA em janeiro de 1991, seis meses depois da estréia da empresa no Brasil.  "Naquele tempo as passagens eram emitidas a mão. As agências de turismo não emitiam passagem. O sistema de reservas ainda não era on-line. Tudo levava tempo e dependia
de muita gente. Em compensação, muito menos gente viajava de avião. Era complicado, especialmente para o brasileiro. Tivemos depósito compulsório, limitação de valores que o passageiro podia levar, numa época sem cartão de crédito internacional.  A coisa foi mudando para o brasileiro. O que era inacessível ficou possível, com a estabilidade,  o valor do Real, prestações, informação, divulgação. E o mundo dos negócios, que não pode perder tempo.
A American Airlines fez um investimento imenso, nos anos 90, comprando o sistema SABRE, depois a IATA criou o sistema de compensação BSP, as agências puderam passar a emitir bilhetes, com um código de acesso a esse sistema, e finalmente surgiu o bilhete eletrônico. "Hoje não existe mais papel. É muito mais simples e eficiente em termos de segurança. Não há mais bilhetes falsos ou roubados. A fraude eletrônica poderá existir. Mas acho difícil", diz Erli.
Os números da empresa impressionam: " A sede da empresa é em Dallas. Lá é um grande hub com 800 vôos diários da empresa. O segundo é Chicago, com 500 vôos diários. Miami aumentou muito por causa da América Latina e Caribe e tem 270 vôos diários da AA, que hoje, somada à American Eagle, tem cerca de mil jatos", conta o diretor.  E continua: "Hoje o conceito de serviço mudou. As companhias americanas sempre foram mais conservadoras. Comparadas com as brasileiras que ofereciam serviço de luxo, pareciam perder. Mas naquele tempo, com o combustível a US$ 11, um avião com 60% de ocupação dava lucro.  A conta agora é bem diferente. Ainda mais depois de 2001, quando o conceito de segurança e controle passou a pesar muito. E a expectativa do passageiro também mudou.  A primeira classe ficou com um preço impossível, praticamente so as corporações a usam para seus executivos que têm de dormir bem, pois vão trabalhar quando chegarem ao destino. Tem gente que dorme duas noites no avião, vai tem reunião e volta e continua a trabalhar.  As executivas estão lotadas.  Mas não dá para mexer muito nas configurações dos aviões, devido às sinergias. Você não imagina o que esses aviões voam.  Por exemplo, chegam do Brasil em Miami, de manhã, fazem um vôo interno de ida e volta, e voltam ao Brasil de noite. Se um avião quebra, tem de ser substituído por outro, com a mesma configuração, devido às reservas. Foram eliminadas as subfrotas, aviões diferentes para cada parte do mundo com exigências específicas.  Aviões padronizados são mais aproveitáveis".

Erli, testemunha da aviação comercial
Outra mudança no funcionamento dos hubs foi o fim das “revoadas“. O que é isso? “A revoada é marcar todos os vôos para a mesma hora, de manhã cedo, hora do almoço e fim de tarde. A American tinha, por exemplo, 60 fingers num aeroporto, que recebiam vôos ao mesmo tempo, o que facilitava a conexão para o passageiro. Acontece que era necessário ter 60 equipes de várias especificidades trabalhando ao mesmo tempo, naquele aeroporto. Agora espaçamos
um pouco isso. A revoada caiu para menos de 50 vôos. São menos equipes trabalhando ao mesmo tempo, e uma diminuição de cerca de dois minutos na duração dos vôos, que têm aproximação mais rápida, com o espaço aéreo mais eficiente. Só de economia de combustível, isso representou US$ 14 milhões. E ganhamos o equivalente a cinco jatos em sinergia“ conta Erli.

O preço virou fator definitivo na escolha de um vôo. “Antes, a primeira informação que aparecia na tela do computador, quando se ia escolher um vôo, era o horário. Agora é o preço. Para isso, fora com toda a gordura. Nos vôos internos americanos não há mais comida nenhuma na econômica. Nos võos mais compridos, quem quer comida, compra“, assegura o diretor da AA.   

Bem, os tempos mudaram mesmo, e qualquer pessoa que viaja já sabe disso. E parece não ligar, já que os aeroportos estão mais abarrotados do que nunca. “O fato de a AA começar a voar para Recife, Salvador e Belo Horizonte é uma boa notícia para o aeroporto de São Paulo e seus usuários. Vai vir menos gente do Nordeste e do centro do Brasil para Guarulhos para embarcar para Miami. E vai sobrar mais lugar nos vôos que saem de São Paulo“, termina Erli
Rodrigues.



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1 COMENTÁRIO

Anselmo Araujo

Eu gostaria de saber como conseguir um emprego na America Airlines do Brazil. Eu sou de Recife mas moro nos EUA a muitos anos. Quero voltar a minha terra mas quero trabalhar na AA. tem um novo voo em Recife, Quem poderia me ajudar a saber como picar pra um emprego la?

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