Gourmet

Ouro, prata e verme

por Redação


A Tequila tem muitas variedades; mesmo que depois da terceira pareçam todas iguais


Nem tudo que brilha é ouro. A tequila, por exemplo, também pode ser prata, reposada, ou añejo. Todas essas classificações são estabelecidas de acordo com o tempo de envelhecimento da bebida.

“A tequila mais pedida é a tradicional. As mais envelhecidas são mais escuras porque ficaram mais tempo no barril de carvalho, então não são muito boas para fazer drinks, por exemplo”, explica Orlando Valesco, gerente do restaurante mexicano El Kabong.  

Feita à base de agave azul, essa tradicional bebida mexicana já derrubou muito desavisado sobre seu alto teor alcoólico. De consistência levemente oleosa, a tequila passa pelo processo de destilação duas vezes antes de chegar às prateleiras do supermercado.

Quanto mais escura, mais envelhecida
Mas não é qualquer bebida feita com agave e destilada duas vezes que pode ser chamada de tequila. Para receber o honroso nome, ela deve ser produzida na região da cidade de Tequila, na província de Jalisco. Mais ou menos como ocorre com o champagne e outros vinhos espumantes.

Todas essas normas foram criadas porque, nos séculos XVIII e XIX, a bebida produzida nessa região era muito muito melhor do que a de outros lugares.

Mas os ancestrais da tequila não eram tão nobres quanto a própria. O principal deles é o mezcal, também feito à base de agave. Entretanto, não precisa ser da variedade azul. Outra diferença é que, enquanto a tequila é duplamente destilada, o mezcal é uma só vez.

Só com muita coragem mesmo
Sem contar que o “vovô” da bebida produzida na cidade de Jalisco, pode ser feito em qualquer lugar. Outro ponto dissonante entre os destilados é evidente, à primeira vista: é costume colocar dentro da garrafa de mezcal a larva de um gusano, verme que pode ser encontrado nas folhas do agave.

A presença da larva serve também para indicar o teor alcoólico da bebida. Imerso em um líquido com pouca presença de álcool, o gusano se desintegra. Portanto, se a larva está intacta é sinal de que aquele mezcal tem álcool o suficiente.

Diz a tradição que quem tomar a última dose da garrafa, é obrigado a comer o verme também. Mas o sacrifício não é à toa: o "guerreiro" fica ainda mais corajoso se encarar o bicho. Se bem que, depois de uma garrafa de mezcal, vá saber!

SERVIÇO

  • El Kabong
    Rua Mateus Grou, 15
    São Paulo
    Fone: (11) 3064-9354


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