Tecnologia

Como guardar um segredo

por Redação


A internet não é um grande exemplo de segurança, mas existem formas de proteger os seus arquivos que vão além dos anti-virus


Alguém sempre pode estar olhando
Todos os dias, milhões de pessoas utilizam a internet para fazer compras, pagar contas, consultar faturas de cartão de crédito, pesquisar preços, conhecer e conversar com outras pessoas, mandar contratos e outros documentos. Todos os dias, milhares de pessoas são vítimas de fraudes na internet.

Graças as novas tecnologias, isso pode mudar. Novas técnicas de criptografia podem criar um ambiente mais seguro para todos na internet, e quem mais lucra com isso são os usuários. E, tudo continuará a funcionar de forma simples.

Muitas pessoas associam o termo criptografia à codificação de mensagens mas, na era da computação, a palavra ganha novos significados. A criptografia engloba, além de mensagens cifradas, uma série de processos de autenticação, canais anônimos, mensagens secretas e provas supostas. "O quê?", você deve se perguntar. Calma, já vamos explicar.

Antes de começarmos a falar grego, é bom explicar o que é o que nesse novo mundo no qual informação é tudo – quanto mais protegida ela estiver, melhor.  Hoje, há diversos websites que fazem cadastros de usuários. Seja para cobrar e enviar produtos, para mediar as postagens e evitar SPAM, para moderar conteúdo exclusivo, encontrar gostos em comum entre usuários, sugerir pessoas e produtos bacanas, os cadastros vieram para ficar.

O problema é que os dados passam por vários lugares no caminho entre seu computador e o site desejado. O primeiro é o seu provedor de internet, que pode saber por quais páginas passou, o que comprou, quais são suas senhas, apelidos e exatamente o que escreve em seus e-mails. Mas os provedores geralmente seguem regras claras para proteger a provacidade de seus clientes. O problema é que eles não são os únicos que têm acesso às informações. Hackers, websites maliciosos, programas instalados em seu computador... há muitas pessoas que ganham muito em espionar o que você está fazendo – interceptar informações que passam pela rede não é algo muito complicado para quem sabe fazê-lo.

É aí que entram as novas tecnologias de criptografia. O protocolo Security Function Evaluation (SFE) permite que quase tudo que é feito na internet atualmente seja seguro e anônimo. Ele funciona em diversas instâncias diferentes; em conjunto, elas criam um ambiente de segurança total.

Tudo começa na criptografia tradicional. Funciona assim: a mensagem é codificada por equações matemáticas, de forma que só é possível decifrá-la se você tiver a base do cálculo no computador que receber a mensagem. Ou seja, ela só pode ser lida no computador específico para o qual foi mandada. Equações complexas exigem fórmulas diferentes para a codificação e a decodificação. Assim, alguém que intercepta a mensagem é incapaz de decifrá-la mesmo que descubra o código que a gerou.

Depois, vem a autenticação. Assinaturas personalizadas que garantem que uma mensagem veio de onde ela diz ter vindo. Isso permite ao usuário se certificar de que a mensagem não é uma fraude. Se alguém copiar um endereço de e-mail e mandar uma mensagem, a ausência da assinatura do software denunciará a falsificação.

O próximo passo são canais anônimos. Como garantir que ninguém possa rastear seus hábitos na web? Pela tecnologia Onion Routing. Ela divide todas as informações enviadas e recebidas em diversas camadas, codificadas segundo equações diversas. Esse sinal passa por diversos computadores; cada um decodifica uma parte. Quando a mensagem chega ao destino final, houve tantos passos que é praticamente impossível apontar exatamente a fonte da informação. Quanto mais pessoas usam o sistema, pior fica para o hacker: diferentes camadas de informação começam a se embaralhar. Mesmo que alguns computadores intermediários sejam invadidos, eles não conterão informações suficientes para a decodificação.

A última fase dessa tecnologia é a que chamamos de “provas supostas”, em tradução livre. É uma forma de provar a um site que você é alguém sem que ele tenha acesso a sua prova. Em um site de relacionamento, por exemplo, você precisa provar que tem uma conta lá, mas se digitar seu login e sua senha, eles poderão ser interceptados. Então, você tem uma prova codificada que confirma sua associação. O site não sabe exatamente quem você é, mas tem um conjunto de mensagens codificadas que garantem que você é integrante daquela comunidade específica. Dessa forma, você tem acesso a todas as páginas para assinantes, mas ninguém pode afirmar quem você é.

Há softwares gratuitos na internet para codificação de e-mails e envio de mensagens usando a tecnlogia Onion Routing. O tráfego na internet, infelizmente, ainda não faz uso dessas novas invenções. Isso porque, por enquanto, essas medidas de segurança poderiam deixar tudo mais lento. Mas, em alguns anos, é possível que a internet se torne um lugar mais seguro para todos, sem que tenhamos de abrir mão de nossa anonimidade. De quebra, com os sistemas de autenticação, os SPAMs acabariam. Nada mal!

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