Gourmet
O que faz um bom vinho?
por André Sender
Conversamos com um dos mais reconhecidos enólogos da França, Philippe Pacalet
Philippe Pacalet é um dos maiores enólogos da Bourgogne, região francesa de cuja excelente produção de vinhos vem galgando espaço e status no mercado mundial.
Sua produção artesanal de 30 mil garrafas faz com que Pacalet seja um dos destaques da nova geração de produtores de vinho locais. Formado em química, biologia e enologia, é um grande conhecedor dos solos e cria seus vinhos de forma natural, sem SO2, numa adega cavada na rocha borgonhesa.
Aproveitado que Pacalet estava de férias no Brasil, conversamos com ele.
ONNE – O que você achou da culinária brasileira?
Philppe Pacalelt – A comida italiana aqui é muito boa, não?(risos) Eu gostei da moqueca, aprecio muito as coisas simples. Também aproveitei para experimentar as cervejas brasileiras, são bem leves, com pouca química.
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Enólogo se encantou por Pinot Noir portoalegrense |
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Pacalet supervisionando sua produção |
PP – Com a moqueca, acho que um vinho branco combinaria muito bem, por causa do peixe. E com as massas italianas sempre um bom vinho tinto, para dar o casamento perfeito.
ONNE – O que te permite distingüir, ao primeiro gole, um vinho francês de um chileno, por exemplo?
PP – Há dois tipos diferentes de vinhos, os naturais e os que são feitos industrialmente. Então, os franceses de boa qualidade são feitos se aproveitando das características do solo, do clima. Você consegue perceber o terroir expresso nele. Por não ter essas condições favoráveis, um vinho chileno, por exemplo, precisa de mais recursos químicos. É como a diferença entre a comida japonesa e a chinesa.
ONNE – E dos vinhos brasileiros que você experimentou, qual a sua opinião?
PP – Eu cheguei há pouco de Porto Alegre e experimentei dois vinhos bons, lá. Não vou me lembrar os nomes, mas um deles era um Pinot Noir muito bom.
ONNE – Seus vinhos são conhecidos pela alta qualidade do produto. Como é vender um produto a um mercado tão restrito?
PP – Tudo o que você tem de fazer é achar as pessoas certas. Não importa o lugar. Os EUA são um mercado em expansão e lá você tem que achar as pessoas certas; na Ásia, a mesma coisa, assim como no Brasil. E isso funciona também para mercados tradicionais na Europa, como França, e Itália, por exemplo.
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