Entrevista

Aventura no espaço

por Cesar Giobbi


Teresa Perez fala sobre a viagem turística ao espaço para experimentar a gravidade zero


A nave da Virgin Galactic que levará os turistas ao espaço

Agora a gente entra numa agência de turismo e compra uma viagem para o espaço. Até há pouco tempo poderia parecer ficção científica. Não é mais assim. A Teresa Perez Tours, instalada em São Paulo, está vendendo uma viagem suborbital, que por definição é uma viagem espacial. Três pequenos senões: um é que ainda não se sabe quando o serviço estará à disposição; dois é que já há 300 pessoas na sua frente e a nave só tem seis lugares; e três, o custo: US$ 200 mil por 90 minutos de vôo. O projeto é de um empresário conhecido por suas inovações e apostas: Richard Branson, que inventou a Virgin Records, depois a empresa aérea Virgin Atlantic e agora tem a Virgin Galactic. Além de outras 360 empresas.
A empresária Teresa Perez e Gloria Maria
“Para nós é uma honra termos sido escolhidos para vender este projeto no Brasil. Só nós e a Grande São Paulo. E mais agências na Argentina e Chile.  Fomos apresentados pela Virtuoso (associação de agências de turismo de luxo) e passamos por uma seleção rigorosa feita pela própria Virgin. As agências têm de escolher uma pessoa para ficar atendendo esta conta específica, com comprometimento de tempo e treinamento feito na Califórnia. Minha filha Carolina fechou o contrato, mas quem vai atender a conta será a Fernanda França, do departamento de projetos especiais”, explica Teresa Perez.
Teresa e Fernanda irão a Las Vegas, no meio de agosto, participar da maior feira de turismo de luxo do mundo,  que reúne mais de 3 mil agentes e fornecedores. Lá estarão reunidos todos os representantes do projeto Virgin Galactic e especialistas da Nasa para preparar as agências e os operadores que vão vender o produto.
“A nave mãe, que vai levar ao ar a nave do vôo suborbital foi apresentada esta semana, nos Estados Unidos. Ela leva a nave até 50 km no espaço. Depois, a nave vai até 110 km, e aí o vôo é muito rápido. A Karman Line, que estabelece o “início” do espaço fica a 100 km. Lá em cima, em gravidade zero, com os motores desligados, são apenas 4 minutos. Depois começa a volta. Eu vou até o deserto de Mojave para conhecer a nave mãe, experimentar uma simulação da gravidade zero e passar por um processo de especialização”, conta Fernanda. E acrescenta: “a nave em si traz uma novidade em vôos espaciais, que é essa asa rotativa, que permite uma reentrada na atmosfera em qualquer ângulo”.

Richard Branson, criador da Virgin Galactic
Como Teresa só vende o que experimenta, quero saber se ela ou Fernanda viajarão na nave. “Essa viagem é muito cara. Provavelmente só teremos experiências em simuladores”. E como funciona a viagem para o cliente? “A viagem não estará disponível para menores de 18 anos. Mas, em princípio, não tem limites de nenhuma espécie. É claro que serão exigidos testes, questionamentos de saúde antes de assinar o contrato. Depois deste primeiro estágio, começa a viagem, que leva três dias. Um  de preparação e conversas som técnicos e tripulantes, o dia do vôo e um dia de descompressão. A família pode acompanhar o passageiro. Ficará em terra mas poderá acompanhar todo o vôo por um telão, pois tudo será filmado”.
Quando é que isso vai começar? Segundo o material distribuído pela Virgin, os testes com  as naves começam este ano.  E garantem que nada será oferecido antes de terem certeza de que tudo funciona com segurança absoluta. Acreditam que em 2009 comecem os primeiros vôos semanais.  “Como já há cerca de 300 reservas, nada pode ser marcado para antes de 2010”, diz TeresaFernanda acrescenta: “A Virgin sugere uma tabela para a fila. Se você tiver pressa, dê um sinal de 100% do valor,  que vai descrescendo. Na tabela, eles dão nomes como Founder para quem pagar já os US$ 200 mil,  vários graus de Pioneer para quem pagar de US$ 100 mil a US$ 175 mil e voyager para quem der sinal de US$ 20 mil. Mas este, eles calculam, que terá uma senha de número 500 para cima”. Ou seja, com sorte, viajará dentro de três anos.  É bom ir avisando que o preço é apenas para este vôo.  Tudo o mais, incluídos os acompanhantes, é por conta do viajante. “A idéia da Virgin é transformar os vôos em diários. Aí, certamente o preço vai cair”. Além do mais, quando a gente chegar a esse ponto, concorrentes terão surgido. E todo mundo sabe o que a concorrência faz com os preços. De qualquer maneira, isso já é infinitamente mais barato do que os US$ 20 milhões pago pelo milionário que foi ao espaço com os russos...

No espaço, a gravidade será zero
“Teve um momento, antes de aceitar vender este projeto, que achava impossível alguém pagar esse preço por uma experiência. Hoje, com os preços dos pacotes de luxo em qualquer canto, não acho mais não.  Nem acho impossível um  homem muito rico fretar a nave por US$ 1 milhão (eles dão desconto de 10% em caso de fretamento) para viajar com a família” garante Teresa.
Para atender este projeto com conforto para o passageiro e a família,  Branson está construindo um aeroporto particular, com hotel de luxo e todos os confortos e tecnologias, o Spaceport America,  perto de Upham, no sudoeste do Novo México (EUA).  Se não ficar pronto antes do começo dos vôos, eles sairão  do Mojave Airport.
 “Tudo o que a gente vê e lê sobre o projeto passa muita segurança”, diz Teresa. “É um projeto que não começou ontem. Tudo está sendo pensado e programado há muito tempo.  Eles escolheram a tecnologia do Burt Rutan, que torna procedimentos espaciais muito mais simples e possíveis para a aviação comercial”,  explica Fernanda. Mas é bom ir adiantando que não há seguro possível, ainda, no mundo, para esta viagem. A Virgin avisa que nenhuma seguradora internacional tem seguro para esta experiência.  Quem quiser mais informações pode entrar no site.
Pelas simulações já dá para se ter uma idéia da experiência. “A sensação deve ser incrível, pois a gente terá uma visão de 1.600 km em qualquer direção. A nave é apertada, mas os passageiros ficam em duas filas de três, todos com suas janelas. Com roupas especiais, lógico, incluindo capacete” vai avisando Fernanda. Teresa completa: “A Terra de longe deve ser uma beleza. Mas eu acho que uma viagem desta merece uma preparação com palestras sobre astronomia, conhecimento do espaço, para a experiência realmente vale a pena. De nossa partre, nós já estamos aptos a oferecê-la”.
Bem, ao espaço então. Boa viagem!



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