Cultura
Brazil, Shakespeare, Max: a universo de Tom Stoppard
por Thomás Levy
Um dos mais célebres convidados da Flip 2008 mostrou sua importância
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Veríssimo e Stoppard dividindo o palco. Foto: Emilia de Aratanha |
Dois dias antes de sua mesa, Tom Stoppard comemorava em Paraty seu 71º aniversário. Chegara no Brasil na terça-feira, e junto com Neil Gaiman e sua filha Maddy foi para Paraty. Dividindo o palco estava Luis Fernando Veríssimo, na nobre função de mediar a conversa entre o autor e o público.
Co-escritor do roteiro de Shakespeare Apaixonado e do filme Brazil, autor das mundialmente famosas Rosencrantz & Guildenstern Estão Mortos, Arcadia e Rock ‘n Roll, esta última a mais recente, após ser introduzido ao público, se levantou.
“Como vou falar sobre mim mesmo e a minha carreira, e não discutir com alguém sobre alguma coisa pelo menos neste primeiro momento, prefiro ficar de pé.”
“É engraçado. Em alguns lugares, sou conhecido como o escritor de peças famosas... em casa, por exemplo, meu nome é sempre associado ao teatro. Aqui, estranhamente, sou conhecido como um roteirista, mais especificamente de dois filmes (Brazil e Shakespeare Apaixonado). Eu lembro de uma rase que eu ouvi no cinema e pensei.’Nossa! como queria ter escrito essa frase!’”
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Stoppard preferiu falar sobre si de pé. Foto: Emilia de Aratanha |
“Isso faz sentido, pois durante o decorrer do filme a idéia é que se Harrison conseguisse explicar para os que o perseguiam, tudo se resolveria. Mas aí, Tommy Lee Jones fala a frase que eu gostaria de ter escrito. Ele vira e diz: ‘Eu não dou a mínima!’. Essa frase é genial, porque ela obriga quem assiste o filme a reconsiderar sobre o que o filme fala. Não é sobre justiça, não é sobre o assassinato. É sobre a perseguição por ela mesma!”
E há cenas geniais do cinema espalhadas por diversos filmes. “Eu prefiro ver um bom blockbuster do que um file ‘artístico’ medíocre”, comenta. "No terceiro Indiana Jones, por exemplo, há uma cena em que Indy cai de um penhasco. Todos acham que ele morreu, mas ele consegue voltar. Entretando, há um problema: o filme não pode continuar sem que Indy ache seu chapéu, que caiu. Então, uma rajada de vento o devolve ao herói, e filme pode continuar. Spielberg não é um teórico, mas conseguiu reconhecer um problema para o filme e solucioná-lo de uma forma genial”.
Veríssimo então tomou as rédeas da discussão e perguntou se, pelo fato do autor ser croata ele se sentia mais livre para brincar com a língua inglesa. O autor pensou um pouco, mas logo disse que “sim, mas subconscientemente. Eu falei apenas croata até os meus cinco anos de idade, mas então o meu pai morreu eu fui para a Inglaterra. Não falo mais nada de croata, mas quem sabe não tenha essa liberdade de brincar com as palavras por causa disso”.
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Stoppard ainda não tem planos de lançar algo novo. Foto: Emilia de Aratanha |
“Por um lado”, Stoppard respondeu, “sou muito conservador, também por sentir uma grande gratidão. Fui adotado pela Inglaterra, por meu novo pai inglês, fiz parte de uma família inglesa. Via como a minha vida poderia ter sido, com as ditaduras se ainda vivesse em países socialistas, e foi assim que a esquerda inglesa começou a me considerar como alguém suspeito. Eles reclamavam de censura e violência, sem saber do que estava acontecendo do outro lado do muro!”
Quando questionado sobre se conhecia algum autor brasileiro, teceu elogios ao próprio Veríssimo. “A esposa dele me deu um de seus livros traduzidos para o inglês ontem, e eu não consegui parar de ler!”
Sobre algum futuro trabalho, disse estar incerto. “Não tenho nenhuma peça nova planejada. Minha última entrou em cartaz três anos atrás, e mantenho uma média de uma novidade a cada 4 anos. De qualquer forma... tenho 71 anos de idade, não queria desperdiçar tempo sem falar dos grandes problemas que a humanidade está enfrentando. Pensei em falar sobre o Iraque, ou sobre o aquecimento global, mas... ter uma opinião não é a mesma coisa que ter uma peça.”
“Faltam personagens, uma história para se contar. Escrever uma peça é falar de eventos que hão de acontecer, então ainda estou pensando nisso.”
SERVIÇO
A livraria Book in the Box patrocinou o ONNE em Paraty
Book in the Box
Rua Bueno Brandão, 66
Vila Nova Conceição - São Paulo
Fone: 3842-5118
Bookinthebox.com.br
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