Cultura

Como falar sobre livros que não lemos?

por Thomás Levy


O autor do polêmico livro comentou os motivos que o levaram a criar este estranho manual



Coelho, Calligaris e Bayard. Foto: Emilia de Aratanha

Pierre Bayard pode ser visto como um grande farsante pelos desavisados. Afinal, quem mais seria capaz de escrever um livro chamado “Como Falar Sobre Os Livros Que Não Lemos”? Os que caírem na armadilha de pensar que se trata de um iletrado qualquer não compreenderão o significado real da publicação.

Bayard é um grande especialista em literatura, autor de livros sobre como relacionar a psicanálise à escrita, dá aulas em universidades francesas reconhecidas em todo o mundo. Contardo Calligaris mediou a mesa, que foi um debate entre o autor e Marcelo Coelho.

A idéia central do livro, segundo Bayard era “desfetichizar o mundo literário. Parece haver uma punição cultural contra aqueles que não lêem. Isso acaba por excluir uma grande parcela das pessoas de um universo fundamental.” Marcelo Coelho falou muito sobre isso.

Todo professor literato tem uma aura de arrogância, então há um lado no livro que busca desbancar esse grande teatro do prestígio literário. Mas essa cobrança que acaba por oprimir no fim não foi ambígua? Ela acabou por criar uma cultura que não liga mais, uma geração que já compra resumos das obras que devem ser lidas.

Pierre: "Não sou um inimigo da leitura". Foto: Emilia de Aratanha
Pierre afirmou não ser favorável a resumos, entretanto, da forma como a literatura é tratada hoje em dia, com listas de livros essenciais (como as nos vestibulares) que se atém a detalhes pífios das grandes obras acaba forçando que isso ocorra.

As pessoas não podem ficar aterrorizadas com a leitura”, explica. “Cada um deveria definir quais são os livros mais importantes; é preciso buscar caminhos pessoais para que cada um descubra essas grandes obras, e não tornar tudo linear.” Por isso o autor sugeriu a criação de novas legendas de referência, de livros do qual o autor nunca ouviu falar, já ouviu falar bem, já folheou ou que já leu mas esqueceu.

O leitor é visto como uma fotocopiadora, e eu não vejo ele dessa forma. Mesmo dentro de cada livro, o que é importante ou não quem deve decidir é o leitor.” Marcelo coelho também fez uma observação interessante: “mesmo os livros que não lemos podem ser importantes para nós. Aqueles livros que compramos e nunca lemos. Deveria haver uma legenda especial para esses!”

Pierre, entretanto se defende dos que acham que ele está se colocando contra a literatura. “Meu filho tem de entregar fichas de leitura em sua escola. Ele me disse já algumas vezes, que o tipo de cobrança o faz não gostar de ler, e isso é muito sério. Nós tratamos a leitura de uma forma equivocada, e no fim estamos conseguindo o oposto do que queremos a tratá-la com esta aura de algo ‘para poucos’, que qualifica e desqualifica uma pessoa”.

SERVIÇO

  • A livraria Book in the Box patrocinou o ONNE em Paraty

    Book in the Box
    Rua Bueno Brandão, 66
    Vila Nova Conceição - São Paulo
    Fone: 3842-5118
    Bookinthebox.com.br




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1 COMENTÁRIO

Vinícius Maciel

Achei a crítica muito válida, porque o que acontece realmente no vestibular é a leitura de resumos dos livros, estudos de obras e quase não se lê as obras indicadas por falta de tempo e interesse. É mais fácil ouvir de outra pessoa do quê se trata a história do que descobri-la pela leitura do livro.

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