Cultura

Arte de botequim

por Thomás Levy


Como um poeta sem produção pôde influenciar uma geração? Em conversas de bar!



Humberto Werneck e suas descobertas sobre um Santo Sujo
Em um clima de descontração, Humberto Werneck, Xico Sá e Paulo Roberto Pires se sentaram no palco principal da Flip. O nome da mesa era sugestivo: conversa de botequim. “Não tem whiskey?”, indagou Xico Sá, desapontado com a liberdade que tomaram com o termo “botequim”. Regados à água, o assunto da mesa logo foi definido: Jayme Ovalle.

Um poeta, músico e escritor que influenciou grandes nomes da literatura brasileira, entre os quais estão Mario de Andrade e Manuel Bandeira. Isso nos faz imaginar que ele é um autor de extensas obras, que deixou uma tradição técnica admirável. Humberto Werneck escreveu um livro sobre este homem, e logo quebra essa errônea concepção.

Tive acesso a um baú com seus escritos. Cerca de 40 poemas, ruins, um livro escrito em um inglês macarrônico e 33 partituras de músicas curtíssimas.” Como então ele pôde ser tão importante?

Ele era um grande artista sem educação formal. Era dono de uma capacidade narrativa ímpar, mas não tinha como externar sua arte. Usava então a mesa de bar para contar suas anedotas, e assim influenciou uma geração de escritores que ouvia o que ele tinha a dizer e se deixaram moldar por suas palavras.”

Xico Sá: Irreverência ácida
Ainda sim, suas anedotas decoraram muito da literatura brasileira. Sem escrever, ele se tornou um personagem que, com muitos amores, muitos problemas e muitas loucuras deu uma cara nova à personalidade brasileira.

Conversa de bar é arte? Se bem usada, sim! Xico Sá aproveitou esse tema para criticar A Folha de São Paulo pela matéria que publicou no dia da abertura da Flip, na qual afirmou que esse evento não era tão bom quanto os outros por carecer de autores premiados.

Se formos acreditar n’A Folha, nem estamos aqui. Não temos ganhadores de pulitzers ou nobels nessa mesa, então não existimos (risos). É ridículo tentar existir à base de prêmios, tentar julgar a literatura com coisas como essa.”

O livro de Werneck se chama “O Santo Sujo”, e foi lançado pela CosacNaify.

SERVIÇO

  • A livraria Book in the Box patrocinou o ONNE em Paraty

    Book in the Box
    Rua Bueno Brandão, 66
    Vila Nova Conceição - São Paulo
    Fone: 3842-5118
    Bookinthebox.com.br




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