Tecnologia
Games With Brains, Parte 1
por Thomás Levy
Há verdadeiras obras de arte em forma de software, e o ONNE o ajuda a encontrá-las
Os videogames são cercados de controvérsia. Desde o nascimento desse meio na década de 70, os jogos eletrônicos são acusados de serem responsáveis por criar jovens anti-sociais e sedentários, transformar crianças comuns em adultos violentos e são vistos como algo que apenas aliena os jogadores.
Uma discussão bem acalorada está ocorrendo nos bastidores entre produtoras e jornalistas, entre os gamers e os críticos do meio. Seriam os videogames uma forma de arte? O primeiro argumento contra é simples: os jogos são viciados em contextos violentos, e apresentam a ação dos personagens sem nenhum tipo de contexto ou reflexão. É apenas entretenimento burro, portanto, não é arte.
Mas isso também não é uma verdade para o cinema? Claro, há filmes e filmes, mas os blockbusters de verão que tanto conhecemos caem nessa descrição como uma luva. O segredo então de encontrar games que são uma forma de arte é achar os games certos, menos preocupados em agradar o público com universos bélicos maniqueístas.
O Onne separou as 10 franquias e jogos mais inteligentes já lançados. Se você não é um gamer, pode ser a hora de se tornar um! Lembramos que não é uma lista dos dez melhores jogos, ou dos dez mais bonitos ou até mesmo dos dez mais divertidos; são jogos que, de alguma forma, mudaram o mundo dos games.
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Um grande vilão prova que é muito mais do que isso |
Chrono Trigger – Super Nintendo, Playstation
O jogo com gráficos muito bonitos e combate ágil caiu nas graças de gamers e críticos. A premissa é simples: um grupo de jovens, por algumas desventuras, acaba sendo jogado no futuro. Lá descobrem como o mundo acabou, e partem em uma jornada para impedir que esse futuro venha a acontecer.
Mas o que impressiona é que não há coadjuvantes nessa história. Cada um dos sete personagens apresentados tem um passado e problemas que podem ser resolvidos. Isso fica nas mãos do jogador, que deve tentar ajudar cada um do grupo.
É como ler um excelente livro de fantasia, com personagens bem desenvolvidos e um riquíssimo universo que os rodeia. Pode ter havido outros jogos que antes de Chrono Trigger apostavam no roteiro como base, mas foi esse jogo que levou o conceito à perfeição. Todos os RPGs desde então pegam emprestados alguns conceitos desse clássico.
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Uma história movida pela vingança, no melhor estilo de Hamlet |
Legacy of Kain – PC, Playstation, PS2, Xbox, Gamecube
O jogo surgiu como um RPG comum em 1995. A história trágica de Kain, um homem transformado em vampiro que busca se vingar de sua morte e se libertar dessa maldição tem quase um culto de fãs,e os outros personagens apresentados posteriormente, como Raziel e Janos, também conquistaram muitos.
Foi um dos primeiros jogos a investir muito em Voice Acting. Cada um dos dubladores é de um talento ímpar, e até hoje é muito difícil encontrar um jogo com falas tão bem escritas e atuações como as da série Legacy of Kain.
Os jogos da série têm muitos problemas, especialmente quando o assunto é jogabilidade, mas ele redefiniu os parâmetros que usamos para julgar se um jogo tem uma boa história e boas atuações. É uma história shakespeareana no melhor sentido da palavra, e mesmo quando tudo dá certo, o final está longe de ser feliz.
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O visual de desenho animado destoa dos temas pesados |
Xenogears – Playstation
Parte do grupo responsável por Chrono Trigger criou Xenogears. Esse foi um dos primeiros jogos a chegar no ocidente que apostava em conceitos muito pesados.
Temas como uso de drogas, violência e abusos permeavam a história turbulenta dos personagens. Mas não foi aí que este jogo inovou. Qualquer um pode jogar Xenogears e apreciar. Mas há detalhes que apenas algumas pessoas pegam.
No roteiro, nos nomes dos personagens e nas instituições religiosas e políticas apresentadas aos personagens há diversas referências à filosofia de Nietzsche, à psicanálise de Freud e aos arquétipos de Jung. Para entender o quão denso o roteiro é em partes, ele parte de uma simples premissa: um personagem que pode matar Deus.
O jogo põe em questão diversas facetas de religiões e da sociedade de controle, tudo em um game colorido e com uma trilha sonora excepcional. Os conceitos básicos do roteiro foram aprofundados na trilogia Xenosaga, para o Playstation 2.
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O jogador ganha mais na exploração do que no combate |
The Legend Of Zelda – Nintendo, Super Nintendo, Nintendo 64, GameCube, Wii, Game Boy, Nintendo DS, Philips CD-i
A franquia exclusiva da Nintendo inovou muito ao propor uma nova experiência ao jogador. Ao invés de viajar por um mundo linear, matando inimigos até chegar ao fim do nível, os jogos da série Zelda apresentam um vasto mundo a ser explorado, no qual o jogador visita fortalezas e castelos atrás de itens mágicos que possam o auxiliar a resgatar a princesa Zelda do vilão Ganon.
O jogo lançado em 1997 para o Nintendo 64 foi o primeiro a se aventurar nas três dimensões, e por ter feito a transição de um mundo isométrico à um mundo tridimensional perfeitamente é tido como um dos melhores jogos já lançados. Você pode comprar esse jogo pela internet por US$ 10 com um Nintendo Wii. Uma verdadeira pechincha.
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Se esconder é a melhor opção para o jogador |
Metal Gear Solid – Playstation, PS2, Xbox, Gamecube, Playstation 3
A experiência completa dessa franquia é exclusividade do Playstation. Há um box à venda com os três primeiros jogos e o quatro e final episódio chegou ao mercado no dia 12 de junho.
Essa franquia demoliu os conceitos pré-definidos de que vilões são maus, heróis são bons. Cada ação dos personagens é ambígua, a narração deixa incerta motivação de cada um e até o grande nemesis do protagonista pode ter motivos nobres.
A série de Hideo Kojima chocou a muitos ao questionar o próprio papel dos videogames na indústria da guerra, e com freqüência questiona o próprio jogador. Por que você está seguindo ordens de pessoas que nunca viu? Por que é aceitável matar pessoas, mesmo que em um jogo? Halo e Killzone podem se gabar de seus visuais e jogabilidade, mas Metal Gear Solid desconstruiu sozinho o mundo dos games de guerra.
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