Entrevista
Luiz Felipe D'Ávila
por Cesar Giobbi
Cientista político fala sobre os projetos do Centro de Liderança Pública
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D'Ávila: "Os líderes se elegem com carisma, criam expectativas, depois não correspodem. Isso é morte política" (Foto: Romualdo Ribeiro) |
Luiz Felipe D’Ávila, que é cientista político de formação, e passou um ano em Boston, na Kennedy School de Harvard, em 2006/2007, estudando gestão pública, teve uma boa idéia para ajudar a formar homens que possam mudar o Brasil. Criou o Centro de Liderança Pública, CLP, que vai preparar prefeitos recém eleitos para serem bons administradores. O foco é gestão pública.
“A nova geração de políticos já entendeu que administrar bem dá votos. O povo percebe melhorias em hospitais, escolas, na rua. Não é só uma questão de fazer obras. Até aqui, a moeda política para a eleição ou reeleição foram a distribuição de cargos e verbas e obras pontuais”, diz Luiz Felipe. De fato, o público sempre retribuiu com votos os administradores que tinham resultados. Desde o tempo do “rouba mas faz”. Só que hoje eleitor tem outra consciência e não admite mais liberalidades com verbas públicas. Nem incompetência. “Os líderes se elegem com carisma, criam expectativas, depois não correspodem. Isso é morte política. Por isso, o que o CLP pretende é formar a consciência dos líderes para saberem o que é importante”, esclarece.
O curso será em novembro, no Ibmec, para 40 prefeitos escolhidos a dedo. “Tenho olheiros em todos os partidos, que pregam a gestão pública,que vão me indicar nomes que tenham possibilidades de absorver os ensinamentos. Gente com vocação mas sem informação. Pelo tom das campanhas já dá para saber. Estamos focando municípios médios, entre 200 mil e 1 milhão de habitantes. Megacidades são o caóticas. Preferimos universos onde os bons exemplos possam ser replicados”.
O que é que esses prefeitos vão aprender? Vão ouvir conhecer cases brasileiros de sucesso, saber sobre liderança, orçamento, transparência, time e equipe, mensuração e resultado, gestão de crises, arcabouço jurídico e constitucional, onde e como ir buscar dinheiro. Um jorro de informações, em uma semana de imersão, 12 horas de aula por dia. “Estes prefeitos serão convidados. O CLP é uma ONG, mas seu custo é bancado pela iniciativa privada, sem nada de dinheiro público. Para o próximo ano, pretendo desmembrar os assuntos dependendo do interesse, para atender demandas customizadas, e com equipes contratadas por assunto. O Andréa Matarazzo, por exemplo, ficou interessado num curso só para subprefeitos. Os governantes serão sempre convidados. Os técnicos pagarão inscrição”, explica D’Ávila.
A idéia nasceu durante o curso em Harvard. “Lá, tudo é voltado para o lado prático. Aqui, nada é prático e não há carreira pública. No Brasil, só o Ministério da Fazenda, o Itamaraty e o Banco Central foram bons quadros.”, diz ele. E segue: “A receptividade da idéia me surpreendeu. Tenho sentido interesse tanto de políticos quanto de patrocinadores. O que mais seduz é a clareza, o foco, a objetividade. Existem ótimas idéias pelo Brasil”, garante D’Ávila. Tanto que, para o futuro, pretende fazer edições de livros com esses cases brasileiros.
Mas o CLP não pára por aí. Outro foco do Centro são as discussões urgentes. Em agosto, trará Ricardo Hausmann que comandará o seminário Brazil’s Grouth Diagnosis. “Hausmann é venezuelano, foi ministro, é professor em Harvard e foi um dos pensadores do Consenso de Washington, que estabeleceu as medidas liberalizantes que fariam os países crescerem, como abertura comercial, privatizações, equilíbrio do orçamento, democracia. Só que ele mesmo percebeu que os países da América Latina que seguiram essa orientação cresceram menos que países da Ásia, com governos mais centralizadores. O peso político das reformas acaba produzindo reformas amenas, insuficientes. Então, resolveu ir por partes. E estudar onde está o nó que impede um país de crescer mais dois pontos. Que ele chama de ‘binding constraint”. E aí, dar uma solução para desatar esse nó”.
D’Ávila encomendou a Hausmann um diagnóstico sobre o Brasil, e é isso que ele vem contar e debater no dia 22 de agosto, com dois economistas, um do elenco do Ibmec, escolhido por Cláudio Haddad, outro, um grande nome brasileiro, que está sendo sondado. “Estou desconfiado que o resultado desse diagnóstico será o gasto público”, antecipa D’Ávila. O seminário será em inglês, com tradução simultânea.
O primeiro produto do CLP foi no fim de março, quando organizou um seminário sobre Aquecimento Global: dilema político e econômico, e para isso trouxe Patrick Michaels e Bjorn Lomborg. Suas apresentações podem ser lidas no site do Centro, em www.centrodeliderancapublica.com.br. E para 2009, em março ou abril, o assunto em debate será Fome e Energia.
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5 COMENTÁRIOS
ana lopes
Parabéns. este evento já é um sucesso.O país precisa de pessoas com essas atitudes que modifiquem a forma de pensar, de adiminstrar se preocupem com a coletividade.
Mario Fontes
Parabéns pelo Seminário Internacional Brazil’s Growth Diagnosis com Ricardo Hausmann hoje no Ibmec SP e por mais essa iniciativa do CLP.
Luiz Felipe Kok de Sá Moreira Fo
Considero a ideia genial. Nada como esta turma despreparada em gestão,aprender um pouco e mudar de patamar com sua ideia.Pena que nao passou a lei proibindo pessoas com ficha ruim se candidatarem. O seu projeto é uma semente para a mudança da classe politica do país. parabens. abraços Luiz Felipe,com boas ideias complementares para fornecer
Fabio Saboya
Felipe, Excelente ! Parabéns por mais essa iniciativa. Que o Curso não se esqueça da importância do relacionamento do gestor municipal com a sociedade civil através dos seus canais devidamente constituidos como as Entidades representativas de moradores, regiões, categorias profissionais, e outras. Quem sabe, dentre outros benefícios, teremos o fortalecimento da representatividade distrital, e um dia o "voto distrital". Conte sempre com o nosso apoio, Fabio Saboya.
vittorio ceragioli
O amigo Felipe, sempre foi de iniciativas criativas. Isso vem desde os tempos de nossa 7a. serie e os anos de polo aquatico no Harmonia. Pena ele não querer um cargo para dar o exemplo! Parabens. Abraço.
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