Cultura

Lúcia Veríssimo

por Sarah Lee


Saiba mais sobre a trajetória dessa carioca do Leblon


Lúcia Veríssimo

 

Muito jazz, blues, samba e bossa-nova: esses foram ingredientes fundamentais na criação da atriz Lúcia Veríssimo. Filha de um dos fundadores do grupo Os Cariocas, a atriz e produtora cresceu no meio musical e tinha tudo para seguir esse caminho, mas enveredou pelo lado da atuação.

Ao longo de sua carreira, acumulou mais de 20 trabalhos em televisão, incluindo novelas, especiais e seriados. Ela ainda comanda a produtora Canela, criada para cuidar da carreira da atriz e que lança em 2008 seus primeiros projetos de outros artistas.

Lúcia contou ao ONNE sobre sua carreira e seus projetos; acompanhe a conversa abaixo!

ONNE - Qual foi a motivação para a criação da Canela Produções?

Lúcia Veríssimo - Na verdade a Canela foi fundada em 1982, pela necessidade de uma produtora que tomasse conta do meu lado atriz. Depois em 1985 ela se tornou uma produtora teatral. Em 1997, uma produtora cinematográfica e de programas para a TV e agora em 2007 em selo/gravadora e editora musical e literária. O que me motivou a abrir um selo/gravadora foi a vontade de ver bons produtos sendo feitos com qualidade e sem serem colocados no final de uma fila de pedidos numa grande gravadora multinacional. Acho que existem algumas injustiças nas escolhas do que será lançado no mercado e resolvi eu mesma colocar aquilo que considero bom e que gostaria de ouvir e não mais encontro.

ONNE - Como foi a incursão da Canela na produção de outros artistas?

LC - Pela atração de bom negócio. Achei que a Canela tinha fôlego para tomar conta de outros artistas que não só eu mesma. E minha gravadora também empresaria seus artistas. Acredito nesse trabalho completo. Eu tinha um desejo de fazer o novo CD e DVD do Os Cariocas para comemoração dos 50 anos de Bossa Nova, 60 anos do conjunto e 80 anos de seu cabeça, Maestro Severino Filho, meu pai. Comecei a encontrar dificuldade para negociar. Aí foi me dando uma agonia e insatisfação que resolvi fazer da Canela também um selo. Por problemas de agenda, não pudemos tocar o primeiro projeto que seria o CD do Os Cariocas, e o projeto da Renata Arruda entrou primeiro. O projeto dela também é muito complexo, pois é um projeto desmembrado em cinco. Estamos na primeira fase. A segunda será o lançamento do CD eletrônico com narração de poesias, que já está na fase de mixagem (com participações minhas, da Cissa Guimarães, do Eduardo Moscovis e da própria Renata), o livro de poesias dela, a turnê nacional e a gravação do DVD. Então nesse ano, a Canela espera chegar ao mercado com três CDs, um livro e dois DVDs.


A atriz apóia diversas ONGs, como o Projeto Tamar

 

ONNE - Como você "descobriu" a cantora Renata Arruda?

LC -
Uma das minhas melhores amigas, Ana Paula Palhares, me levou para assistir um show da Renata no Teatro Rival há três anos. O show era do CD Por Elas e Outras. Adorei o trabalho da Renata em todos os níveis, a voz, a presença cênica, a pegada do violão dela, enfim, achei-a uma cantora com um trabalho excelente. No começo de 2006, fui novamente assistí-la na Sala Baden Powell com o show do lançamento do CD e DVD Pegada. Foi novamente muito bom tê-la visto. Os dois shows eram completamente diferentes. No Rival ela tinha uma banda grande e na Sala Baden Powell eram somente ela tocando seus violões de aço e nylon, como sempre, e mais dois guitarristas. Continuava sendo impactante. E logo após esse show, ela começou a me mostrar suas composições e suas poesias, então o projeto começou a tomar forma para mim.

ONNE - Esse não é o seu primeiro contato próximo com a música, já que seu pai é integrante do grupo Os Cariocas; como foi a sua formação musical?

LC - Meu pai viveu da música toda sua vida assim como meu tio, seu irmão, Ismael Netto. Eles entraram para a Rádio Nacional por concurso quando um tinha 14 anos (meu pai) e o outro 16. Sabe lá o que é isso? Eles são do tempo em que a qualidade era superior a qualquer madrinha ou padrinho. Existiam concursos para que você pudesse ter a oportunidade de mostrar suas qualidades e um júri escolhido e popular decidiam sobre as escolhas. Com 18 meu pai se formou Maestro e criou sua Orquestra, a Pan Americana. Logo depois, juntos fundaram os grupo vocal Os Cariocas. Quando eu nasci eles eram o sucesso da época e logo foram chamados para ouvir João Gilberto e Tom Jobim. Então decidiram ser os primeiros a gravarem o novo movimento musical chamado Bossa Nova. Aí entram os meus ouvidos. Fui criada, literalmente, dentro de uma sala de ensaio e meu conforto ficava em cima do piano do meu pai. E, graça a Deus, foi lá que minha formação musical foi se dando, com muito jazz, blues, samba canção e bossa nova. Quem cresce com som dessa qualidade se torna muito exigente. Tenho um ouvido também muito bom, aprendi com meu pai muito. Estudei piano na infância e violão na adolescência. Fui colocada dentro de todos os estúdios durante a vida inteira, pois eram nesses lugares que o encontro com meu pai se dava com freqüência. Ele não só trabalhava no Os Cariocas, mas foi produtor musical toda a sua vida, de diversos artistas diferentes, de orquestras a Martinho da Vila (daí minha amizade de muitos anos com Mart’nália), arranjador de tantos outros também, de Elis Regina a Nelson Gonçalves e por aí vai. E eu lá, ao seu lado nos estúdios. Teria sido natural que eu seguisse seus passos, mas muito nova comecei a fazer teatro e como minhas qualidades como instrumentista e cantora não eram nada significativas, não segui o caminho da música.


Amante dos animais

 

ONNE - Você lançou um álbum nos anos 90; tem planos de seguir esse caminho novamente?

LC - Lancei, Lúcia Veríssimo Western, mas não o considero como uma tentativa para uma carreira como cantora, mesmo porque odiei o resultado desse trabalho. Foi muito mais pelo fato de que um círculo se fecharia naquele momento. Eu era dona da cadeia de lojas LV Western, fazia shows a cavalo e com bailarinos pelo Brasil afora, então o CD veio como uma proposta de fechar uma cadeia. Para que os shows ficassem mais completos. Definitivamente, não tenho a menor intenção de voltar a gravar um CD.


ONNE - Além do trabalho da Canela, quais são os seus projetos?

LC - Ainda esse ano começo a ensaiar e pretendo estrear, antes do final do ano, a peça Usufruto, de minha autoria e direção de José Possi Neto. É a primeira vez que escrevo dramaturgia. Sempre escrevi artigos dos mais variados. Tenho há mais de dois anos um blog (www.luciaverissimo.blog.br) que no ano passado foi migrado para o BlogLog, mas continuo mantendo meu domínio. Lá você vai poder ler sobre os diferentes  assuntos que escrevo. Sou uma atriz contratada pela TV Globo e qualquer momento posso ser convocada, mas não tenho nada acertado.


ONNE -Qual dos dois você prefere: atuar ou produzir?

LC - Os dois. Desde 1985 produzo as peças que atuo, então...

ONNE - Você está no show business há mais de 20 anos; o que você considera seus pontos altos e baixos?

LC - Não me arrependo de ter feito nada. Trabalhar, exercitar seu ofício, por mais que pareça desagradável algumas vezes (por horários e desrespeitos diversos), você aprende e muito. E o que mais gostei de fazer, posso citar, pelo menos, 100% dos trabalhos que fiz. Cada um teve seu valor e o de maior explosão (sucesso) foi sem dúvida Salvador da Pátria. Adorei fazer Delegacia de Mulheres, me divertia muito; Agosto pelo seu cuidado extremo; Roda de Fogo pelo elenco (nunca trabalhei em equipe com a sensação dessa); Esperança pela louca Francisca Mão de FerroUga Uga  pelo desafios físicos; América pelo mundo rural; Globo de Ouro pela importância de um grande programa musical; Fantástico, Programa de Domingo; Chico Anysio etc. Foram todos absolutamente importantes principalmente pelos grandes encontros com autores, diretores, atores e colegas da técnica que adoro a companhia. Enfim, seria uma leviandade falar do que mais gostei. EU SIMPLESMENTE ADORO TRABALHAR.




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3 COMENTÁRIOS

ariane veronica

BOM ,FALA DE LUCIA VERISSIMO E TD DE BO ELA E MARAVILHOSA AGENTE Q E FA SENTE MUITA FALTA DELA NAS TELINHAS POIS ELA FRAZ A DIFERENCA SO ASSISTO UMA NOVELA MESMO QUANDO ELA ATUA LUCIA ESTOU COM SAUDADES DE VC BJOSSSSS

ELIANE BULYK FAZZANI

NOSSA ELA DA SUMIDA DAS TELA DE TV.MUITO BOA A REORTAGEM

fernanda

Eu adorei, gostei muito sou muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito sua fã

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