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Gourmet
Sabor de polêmica
por André Sender
Pivô de discussões intermináveis, o foie grass segue como iguaria da culinária francesa
O foie grass é um alimento de extremos. Uma das maiores, se não a maior iguaria da cozinha francesa, até hoje ele desperta paixão em apreciadores de sua textura amanteigada e seu sabor suave, como os chefs Alex Atala e Claude Troisgros, e profundo ódio naqueles que não vêem o alimento com bons olhos.
Toda essa polêmica se dá pelo modo que o foie grass é produzido. Na verdade é até um pouco mais do que isso. O termo em francês significa “fígado gordo” e é exatamente o que ele é, o fígado de um pato ou de um ganso que foi super alimentado. O que já gera certa polêmica, pois tem muita gente que segue os preceitos vegetarianos. Mas até aí isso pode ser considerado normal, não são poucos os que são contra a carne bovina.
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É, literalmente, um prato cheio para a alta gastronomia |
Mas agora é que entra o grande ponto de polêmica. Os animais que são utilizados na produção do foie grass são geralmente criados soltos comendo em extensos gramados, para reforçar a característica natural que eles têm de alta elasticidade do esôfago. Aos poucos os criadores vão introduzindo na alimentação desses patos e gansos uma dieta riquíssima em amido, o que já deixa o fígado mais gordo.
Na segunda fase de produção é que o negócio fica feio. Mais ou menos nos últimos 15 dias de vida dos animais, eles começam a ser super alimentados. Isso significa que os patos comem seis vezes e os gansos oito vezes por dia. Para conseguir imprimir essa dieta às aves, os produtores colocam no esôfago delas um tubo que tem mais ou menos 25 centímetros de comprimento que introduz forçosamente comida no esôfago das aves. Dependendo do método usado, esse processo que é repetido várias vezes ao dia pode durar 60 segundos, embora a técnica mais usual reduza esse tempo para três segundos.
Os que são contra esse tratamento, considerado por alguns como bastante cruel, buscam alternativas, como sempre acontece. Já há quem tente reproduzir as características do foie grass sem ter que fazer mal aos animais. Alguns chefs tentaram isso usando ingredientes como fígado de frango – sem super alimentação, é claro, trufas e até mesmo tofu. O resultado, que logicamente não tem o mesmo sabor, muito menos a mesma textura do original, foi apelidado de faux grass, em um evidente trocadilho com a palava “faux” que em francês quer dizer “falso”.
SERVIÇO
Site do chef Claude Troisgros
Claudetroisgros.com.brD.O.M. de Alex Atala
Domrestaurante.com.br
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9 COMENTÁRIOS
Denise (Portugal)
É de facto um grande absurdo o processo de super alimentação. Não estamos aqui a questionar se devemos ou não nos tornarmos vegetarianos.! O importante aqui é que para suprir uma gula e "aguçar" os nosso paladares, teremos que usar de métodos não naturais de alimentação dos bichos, e ainda força-los a comer várias vezes ao dia... Isso também é desumano! Não me lembro de ver patos ou gansos a comerem amido de milho! Eles têm que ser criados soltos a comer o que lhe apetece comer e na hora que quiserem. Acho que infelizmente estamos a abusar da tecnologia e isso poderá não acabar bem.
natalia
É incrivel que nos dias de hoje com tanta informação, as pessoas se façam de ignorantes apenas para satisfazer um desejo,uma gula,um breve momento,que custou uma vida...Que acabou com muito sofrimento,não apenas para suprir a fome...mas a ignorância humana!
Davi Rogê
Embora não aprecie tal “acepipe” , como estudante de gastronomia e futuro chef, parto da seguinte premissa: se refletirmos sobre as formas de tratamento dos animais que nos servem como alimentos (dos mais nobres aos triviais) migraríamos para o vegetarianismo; como opção de muitos. Em síntese, acho tamanha hipocrisia dos que criticam e se horrorizam com a “suposta crueldade” praticada aos gansos e patos, uma vez que, os mesmos cidadãos que aferem e repreendem o consumo da iguaria, se alimentam de carnes de frango, bovina, suína, frutos do mar e afins; que também sofrem (e muito) nas granjas, nos matadouros e na pesca, respectivamente. E o que dizer do popular “Chester” que toda família come no Natal? E do simples “filé de frango”, das aves que não dormem, e sim, só se alimentam (exageradamente) na exposição constante de iluminação artificial? Portanto, “viva” o livre arbítrio de escolhermos e degustarmos o que nos faz bem, seja pela cultura, pelas condições econômicas e pelo paladar – que na minha opinião – é o motor principal da engrenagem da gastronomia.
claudia
E REALMENTE UM ABSURDO QUE AS PESSOAS SE DEIXEM LEVAR PELA MAXIMA DE QUE OS FINS JUSTIFICAM OS MEIOS PARA PRODUZIREM IGUARIAS ALIMENTARES A CUSTA DO SACRIFICIO DE ANIMAIS. E O MESMO PESSOAL QUE SE VESTE DE PELES ACHANDO QUE ESTA ELEGANTE. FORA IRRACIONAIS!!!!! VIVAM E DEIXEM VIVER!!!!
arlene dos anjos
achei uma tremenda maldade fazer isso com os bichinhos
Davi
Quem paga o preço de um prato desse vai ligar a mínima para como é feito? Crueldade existe mas não é tanta novidade assim mas duvido que alguém pare de comer só por causa dos maus tratos. Se fosse por isso ninguém comeria lagosta, homard, caranguejo... que são cozidos vivos. Vou mesmo de faux grass, merci.
Rafael
Seria interessante mostrar aos que apreciam este prato, como de fato ele é manipulado, ou seja, informar-lhes a ingestão forçada a que essas aves se submetem para satisfazer o ego estomacal desses ignorantes. Muitos na minha opinião devem desconhecer esse "processo de elasticidade", de modo que não lhes interessa nem um pouco, pois o que vale é a satisfação imediata...
sonia nahes
Como,podem,ir contra os limites da natureza.Já pensou coitadinhos,como passam mal?Experimente esses exageros,e conclua tamanha crueldade.
valdenice daniel
Eu, nem acredito no q eu acabei de ler.Quanta crueldade.
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