Esportes

Premier Business

por Luiz Giaconi


As duas faces dos investimentos na Premier League


Roman Abramovich, o bilionário russo que é o dono do Chelsea
O cenário era catastrófico. No final dos anos 80, o futebol inglês vivia seu ponto mais baixo de uma trajetória de vitórias e títulos, como a Copa do Mundo de 1966. Estádios com pouco público, jogadores buscando novos e mais promissores horizontes nas ligas espanhola, francesa, italiana e alemã, e clubes ingleses banidos por cinco anos de competições européias, devido a ação de hooligans do Liverpool, que causaram a morte de 39 torcedores da Juventus na partida entre as equipes no estádio de Heysel, em Bruxelas, pela final da Copa dos Campeões da Europa de 1985.

O que fez as coisas mudarem na terra da rainha foi a tragédia ocorrida no estádio de Hillsborough, em Sheffield, onde 96 torcedores do Liverpool morreram esmagados contra o alambrado, antes da partida contra o Nottingham Forest, pela semifinal da copa da Inglaterra. O trágico evento levou a criação do chamado relatório Taylor (em alusão ao responsável pelo documento, lorde Taylor) que recomendaria drásticas mudanças, como combate severo aos torcedores violentos, e dentro dos estádios o fim dos alambrados e a obrigatoriedade de 100% de lugares sentados e numerados para os torcedores.

Alexander Gaydamak, dono do Portsmouth
As medidas do relatório Taylor trouxeram o público de volta ao estádio. E em 1992, os clubes ingleses perceberam o poder que tinham na hora de negociar contratos de transmissões de TV, ao criarem a Premier League, o novo campeonato inglês da primeira divisão. O sucesso da nova liga e dos clubes foi estrondoso. Para comparar os valores, em 1988, o valor pago pelas emissoras de televisão pelo direito de transmitir os jogos foi de ₤ 44 milhões. Em 2007, os direitos de transmissões foram vendidos por ₤ 1.8 bilhões.

Logo, essas cifras tão elevadas passaram a atrair a atenção de bilionários em busca de mais uma fonte de investimento. Apesar de isso não ser um fato novo (até o cantor Elton John foi dono de um clube inglês, o Watford), hoje em dia uma boa parcela dos times da Premier League possuem a figura do mecenas. E muitas vezes esse dono é estrangeiro e seus rendimentos têm origem suspeita.

Thaksin Shinawatra: exilado na Inglaterra e dono do Manchester City
O caso mais conhecido é de Roman Abramovich, atual dono do Chelsea. Com uma fortuna estimada em cerca de US$ 20 bilhões (que segundo seus adversários, como o atual presidente russo Vladimir Putin, é oriunda de negócios suspeitos durante as privatizações das empresas de petróleo da Rússia no governo de Boris Yeltsin), estima-se que Abramovich já tenha investido mais de US$ 300 milhões no time de futebol.

Outros bilionários seguiram o mesmo caminho: Thaksin Shinawatra (ex-primeiro ministro da Tailândia, afastado do cargo devido a acusações de corrupção e violação de direitos humanos) é o mandatário do Manchester City; o magnata russo Alexander Gaydamak é o atual dono do Portsmouth; e os bilionários norte-americanos Randy Lerner e Malcolm Glazer são os donos do Aston Villa e do Manchester United, respectivamente.

Peter Ridsdale levou o Leeds United ao topo.... e o deixou na terceira divisão
Muitos críticos vêem com receio a chegada desses investidores estrangeiros. Apesar do afluxo inicial de dinheiro nos clubes, a origem suspeita do mesmo, e a história de sucesso e fracasso de Peter Ridsdale no Leeds United e de John Walker no Blackburn Rovers servem de alerta. O caso do Leeds é sintomático: de grande clube, que sempre lutava por títulos, para time de terceira divisão com o fim da relação entre clube e dono. Para esses críticos o esquema é simples: como o investimento traz um grande lucro, vale a pena até o dia em que o cenário muda. Aí o clube se vê sozinho novamente, e freqüentemente, com dívidas astronômicas, numa situação de pré-insolvência.
O falecimento de John Walker em 2000, levou o Blackburn a passar por dias negros na segunda divisão
Os defensores dos novos investidores alegam que isso não passa de acusações não provadas em muitos desses casos. E que tudo isso de deve ao medo que os três grandes (Arsenal, Liverpool e Manchester United) tem de mais times competindo em condição de igualdade.  Seja como for, sempre é bom desconfiar quando a esmola é grande demais.
 

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20 COMENTÁRIOS

carlos gley medeiros da silva

queria ter um cara desse investindo no meu flamengo, ai eu queria ver quem ia vencer o meu mengão.

Sérgio Carlaneo

O KIA também faz parte desta mafia, poderia ser lembrado!!!

wagneroliveira

gostaria de saber sobre os milionários jogadores do futebol

Rick_Bahia

Shurikabaka-lakabu!

joão carlos

é verdade,, muito dinheiro........ mas é uma pena que com tanto dinheiro em "jogo" em grande parte do mundo ainda tenhamos um mundo tão miserável, assim como na África por ex: de onde ja saiu grandes nomes do mundo da bola

WERLEY

EU GOSTEI MAIS TEMOS QER TER MATERIAS NOSSA.

cristiano

os club sabiam q teria q enfrenta a violencia por isso o campeonato ingles e um sucesso indenpedente de onde vem o dinheiro apesar de ninguem provar se o dinheiro e sujo

william

ola nao sei da onde vem dinheiro mais queria que estes caras ajudava meu rio branco de americana , seria gostoso ter um time grande para jogar com os grandes valeu um abraço pessoal.

peterson fabris

Eu que moro em londres sei exatamente o tamanho e o grande planejamento desse clubes bilionarios. No fundo nenhum clube brasileiro jamais sera igual aos clubes ingleses uma que vez que a impunidade e a violencia vigoram nos estadios e nas cidades brasileiras

andre luis santana

A POLITICA DE INVESTIMENTO DO BARCELONA E MELHOR DE TODAS; IMAGINA O FLAMENGO INVESTINDO MELHOR NA SUA MARCA SERIA O MELHOR TIME DO MUNDO COM ESSA TORCIDA.

Rafael

É interessante, porém, como já sitado na reportagem não se tem prova alguma de todas essas acuzações e portanto não faz a menor diferença.ah! com o dinheiro que esses magnatas têm são intocáveis.

frank

Interressante.....................super

ismael pereira

gostom de futebol mas gostaria que algum empresario tivesse a coragem de investir num campeonato de repentistas nordestinos aqueles que cantam de violas em punho o Brasil e o mundo iriam ver um show de um e culta ao mesmo tempo.

Xande

Pra mim, não disse nada.

Daniel

È pena que o futebol esteja se transformando em mais um negócio, onde a obtenção de lucro seja colocada em primeiro lugar, mesmo que nos bastidores.

EVERTON

não é preciso ir longe para ver o resultado da entrada desses picaretas no futebol,basta ver o que Kia e Beresavski fizeram com o Corinthians

graça

interessante, mas realmente nao importante...o site ja colocou reportagem mais criativa, e com importancia...

aurora

futebol,politica e mega sena, para mim, é tudo igual, um mundo de enganação, e tudo enganação.

Luiz Casaroti Neto

Sou mais o formato dos clubes brasileiros associações, com parcerias ou patrocinio.

Claudio Burgos

materia interessante, mas naum eh muito a cara do site

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