Arco-Íris

BBB 10

por Redação*


Entre o sexo e o afeto – por Irineu Ramos*


Sérgio do BBB10 - para seu pai a homossexualidade não é uma opção, as pessoas nascem assim
A 10ª edição do Big Brother Brasil (BBB 10), promovido pela Rede Globo, elegeu a diversidade sexual como gancho principal. Para isso não poupou esforços para misturar identidade, gênero e orientação sexual no mesmo pacote.
Temos lá um grupo de sarados “bombados” para o deleite da platéia que alimenta a fantasia de encontrar um tipo físico porto seguro que a domine e proteja. Este grupo é representado por jovens saídos das academias com corpos musculosos e bem delineados.
Tem, também, o grupo de intelectuais composto entre outros, por uma doutora em lingüística e um advogado. Mas, o inovador nesta edição é justamente o grupo da diferença: dois rapazes e uma moça assumidamente homossexuais, escolhidos justamente por sua orientação sexual.

André, do BBB 1 - sua sexualidade foi tratada de forma velada
Na estréia ficou claro que o que determinou a escolha deles foi a sexualidade. A apresentação dos demais centrava-se no aspecto profissional já entre os gays, o foco foi com quem se identificavam sexualmente.
Entre os participantes há ainda uma garota que aparentemente é bissexual, o que serve para esquentar ainda mais o imaginário heterossexista e ganhar mais telespectadores. Como é possível constatar, tudo está centrado no sexo puro e simples.
Mas é possível que o BBB 10 contribua para reduzir o preconceito no Brasil, ao mostrar que os gays têm família e que estas pessoas são cidadãos comuns, iguais aos que encontramos na padaria, na feira e no empurra-empurra do transporte público, passando o conceito de que a homossexualidade, tanto quanto a heterossexualidade, está em todo lugar.

Jean Willis foi o primeiro a declarar, em alto e bom som, no reallity show sua homossexualidade

Será que a Rede Globo vai deixar Dicesar apresentar sua famosa personagem - a drag Dimmy Kieer?

Marcelo fez a alegria da comunidade dos ursos - homens gays, peludos e que fogem à estética do corpo delineado em academias
Para avançar no quesito diversidade é bom que o BBB deixe espaço para o afeto. Discutir o afeto entre iguais é reconhecer que todas as pessoas têm o mesmo direito perante as leis e a sociedade. Abordar a afetividade entre iguais é abrir espaço para se discutir os novos conceitos de família, de liberdade e do amor.
Este é um passo importante na sociedade brasileira e que a TV não pode deixar de lado em nome do repúdio das entidades conservadoras (que certamente irão se insurgir) ou de conceitos religiosos. A discussão pode e deve crescer para o lado positivo. Tudo vai depender de como a Rede Globo pretende encaminhar este processo. Vamos aguardar!

(*) Irineu Ramos é jornalista, pós-graduado em História e mestre em Comunicação

Thalita Lippi e Bianca Jahara, depois do BBB, posaram para uma campanha institucional contra a homofobia, mas negam qualquer dúvida que possa pairar sobre suas sexualidades



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