Sommelier

Vinho Kosher

10 Outubro , por Didú Russo


O vinho correto


Nos últimos sessenta dias, São Paulo viveu um festival vinícola. Foram mais de 432 expositores e cerca de 1124 vinhos apresentados entre a Expovinis, a Wine Experience, o almoço em comemoração aos 30 anos do Tignanello, o almoço com Ângelo Gaja, a Wines of Argentina, a ICEP Vinhos de Portugal e o Encontro Mistral. Provei nada menos do que 532 vinhos diferentes! Dá para entender por que os sommeliers costumam cuspir suas provas de vinho, não?


Dentre tantas e agradáveis descobertas tenho que dar destaque ao vinho Flor da Primavera, da Celler de Capçanes, uma cooperativa de Montsant perto do Priorato na Espanha. Elaborado com 30% de Garnacha, 30% de Cabernet Sauvignon, 25% de Cariñena e 15% Tempranillo, o vinho tem uma maceração de 25-30 dias a uma temperatura de 28º-30º. Seus aromas de especiarias, cravo, noz-moscada e marron glacé são muito sedutores e na boca é longo e austero. Excelente mesmo.


A razão do destaque é o fato do vinho ser Kosher ou Kasher. Não sei se acontece com você também, mas meus amigos judeus, que não são poucos, nunca me ofereceram um vinho Kosher como este. Os que tomei sempre foram vinhozinhos adocicados, sem estrutura, que nunca estiveram à altura nem dos meus amigos, nem de suas festas fartas, alegres e cheias de vida.


O vinho Kosher obedece ao processo determinado pelos rabinos e são manipulados apenas pelos judeus ortodoxos, para lhe garantir a pureza e não ser contaminado por pessoas sem fé. Vale lembrar que também entre os judeus, o vinho sempre esteve presente em festejos, no sabbath (sábado sagrado para os judeus), no kiddush (a benção) e no havdalah (seu término). “Abençoado seja você, senhor nosso Deus, Rei do Universo, que criou o fruto da videira”.


Kosher ou Kasher significa “correto”. Alguns rabinos super radiciais insistem no “mevushal”, que manda pasteurizar ou ferver o vinho, o que em minha opinião não é nada correto... ou nada Kosher, pois estraga o vinho.


Os vinhos descritos como "Kosher para Páscoa", feriado judaico celebrado em março ou abril em comemoração à libertação dos escravos Hebreus no Egito, não devem ter qualquer contato com pão, massa de pão ou pão fermentado por leveduras.


Em Israel existem leis bastante rígidas com relação à produção do vinho Kosher, como por exemplo:


-    as videiras têm necessariamente que ter mais de quatro anos,
-    se o vinhedo estiver dentro de terras bíblicas deve ficar sem cultivo uma vez a cada sete anos,
-    somente videiras podem ser plantadas nas áreas de cultivo das vinhas,
-    os materiais usados em todo o processo de produção, maturação e engarrafamento também devem ser kosher.


Se você quiser saber mais a fundo sobre os processos kosher, procure o site: www.beitlubavitch.org.br/kasher, mas indiquem aos seus amigos judeus o excelente Flor da Primavera, que as extraordinárias festas judaicas ficarão ainda melhores... O vinho pode ser encontrado na Mistral, no telefone 3372 3400. Falem com o Amarante em meu nome que ele dará alguma vantagem a você, independente de sua religião. Saúde!
Didú Russo da Confraria dos Sommeliers

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