Europa
Aliado ao ETA
23 Maio 200 , por Ana Carolina Ralston
ANV detrás das câmeras
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Pais Basco frances, praia de Hendaya |
¨ETA explode carro bomba nos arredores de Bilbao¨. Faz apenas seis dias que outro atentado da banda terrorista basca cobria a primeira página dos jornais espanhóis.
Diferente do ocorrido na semana passada, que teve uma vítima fatal, este foi anunciado pelo próprio grupo minutos antes da explosão, dando tempo de evacuar os arredores do Clube Marítimo de Abra, ponto de encontro da elite basca.
A destruição, apenas material neste caso, manchou mais uma vez a moral do governo espanhol e basco que tentam de todas as formas marginalizar o grupo terrorista e seus aliados.
Todos os partidos políticos e grupos a favor ou não da independência e autodeterminação da comunidade autônoma espanhola condenam os incidentes provocados pelo ETA, exceto um: o partido ANV ou Ação Nacionalista Basca.
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Bosque de OMA |
¨Queríamos marcar uma entrevista com você. Somos três jornalistas independentes e estamos gravando um documentário sobre... quê? Não, só estou eu na linha, digo... faz tempo que recebe estas ameaças? Não tenho filhos, mas posso imaginar o que está sentindo. Tentaremos conversar com esta outra pessoa então... sim, sim, nada de nomes por telefone. Alô?¨
ANV. É este o tema do curta-metragem. Depois de três telefonemas que seguiam mais ou menos o dialogo acima, recebemos o primeiro ok que nos fez mudar nossa pequena base de estudos para o povoado de Mundaka, na costa Basca.
E assim foi. Um contato leva a outro e a muitos mais que pareciam cansados de reportagens induzidas pela visão política que muitos meios assumem, acima até da própria verdade. Afinal, alguma vantagem teria a estranha junção de uma asturiana – basca, uma madrilenha e uma brasileira. Era este o troféu da nossa imparcialidade.
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Independencia socialista |
ANV não condena nenhum ato realizado pelo ETA. Pessoas de toda a Espanha alegam: o partido é o braço político da banda terrorista, por isso assumem esta postura. O grupo político criado nos anos 30 foi uma divisão laica do atual governo basco, o PNV (Partido Nacionalista Basco), que também defende a independência do País.
Durante todos os seus anos de existência, acudiu ao nacionalismo e ao socialismo sem lançar mão de nada que dissesse respeito à violência. Porém, no final dos anos 70 realizou acordos com dois partidos políticos, que hoje se encontram ilegalizados por colaborar com a banda terrorista: Henrri Batasuna e Batasuna.
ANV continuou a existir sem mais ligações com o ETA e praticamente inativo durante vários anos. Com a retirada de ambos partidos da cena política, os militantes e seguidores destes dois grupos buscavam um novo partido com um ideal nacionalista que se encaixassem às suas propostas. E foi neste momento que ANV voltou a se apresentar as urnas.
Com tais integrantes e sua atual postura em contra a condena dos crimes cometidos por ETA, ANV terminou por definir seu futuro, que não seria diferente de seus dois antecessores: a ilegalização . Esta já foi concretizada em alguns municípios da comunidade e aguarda, já com vários de seus integrantes presos, a retirada de sua representação no resto do País.
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Viscaya, região norte do Pais Basco |
Outro conflito
A tão polemica ANV tenta defender os mesmos princípios que a banda terrorista, mas sem usar a força militar. De acordo com Txarli González, secretário geral da ANV, se o partido for censurando, seus seguidores acudirão as urnas pelo voto nulo e seus integrantes darão continuidade aos ideais de independência de outra forma.
Durante uma passeata organizada pela ANV juntamente com os familiares dos presos políticos da organização terrorista, uma votante afirma, ¨ANV não é ETA. Impedir-nos de exercer nossas atividades políticas é tirar o direito do povo basco de defender sua liberdade. Queremos ter o mesmos direitos que qualquer outro partido ¨.
Os presentes reivindicavam que estes presos sejam colocados em complexos no próprio País Basco, já que muitos familiares não conseguem visitá-los pela distancia e pela falta de recursos financeiros. A mesma senhora, afiliada ao partido, conta que embora em sua opinião ETA não possua ligações com ANV, ela em particular se sente vinculada com o grupo terrorista.
¨Meu marido e dois familiares foram presos na época de Franco (ditador) por pertencer a ETA. Estou em contra aos tantos anos de cadeia que são obrigados a cumprir os afiliados a este grupo nos dias de hoje¨.
Nos anos de ditadura (1939 – 1975) ETA estava em contra ao regime severo imposto ao país, o que fez com que a população tivesse uma certa simpatia pelo grupo.
Logo, com a queda do regime em 75, o povo espanhol deixou de apoiá-lo, já que com a democracia as agressões da banda a governantes, militares e ao próprio povo se tornaram injustificáveis.
Epílogo
Entre as tantas declarações coletadas e o que presenciamos nos dias que estivemos aí, nos sobrou muitos momentos em que as palavras não cabiam. Silencio que se transformou em vontade de fazer deste material algo que valesse a pena de ser visto e comentado.
Uma homenagem às vozes de todos os políticos y pessoas independentes que fizeram com que este projeto se concretizasse.
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