Europa

Suíça democrática

31 Março 2 , por Ana Carolina Ralston


¨Um por todos e todos por um¨, lema da confederação Suíça


O hotel Suvretta House

Seria difícil imaginar que o ideal democrático é realmente possível nos dias de hoje se não fosse pela Suíça. O único pais do mundo onde se aplica a ferro e fogo a democracia direta e o respeito entre a pluralidade que vai desde suas  quatro línguas oficiais (Alemão, Françês, Italiano e Romanche) às suas duas religiões majoritárias (Católicos e Protestantes).

Curiosa a frase que ouvi já em território suíço: ¨um país de esquerda onde todos são ricos¨.  É, dá para entender de onde veio o raciocíno de tal comentário. Hoje na Suíça, grande parte da população é de classe média alta.

Isso por ali poderia significar algo como duas boas viagens ao ano, um carro, uma casa própria, jantares pelas zonas caras das cidades e mais algumas regalias. Mas a idéia do que acontece em um país como este tomou mais forma quando eu estava a caminho de St Moritz.

Em uma conversa longa com um taxista português, soube que em seus últimos sete anos  de trabalho no município de Grisones  ele pôde comprar duas casas próprias em Portugal, em um povoado ao lado de Oporto, manter seu aluguel em dia na própria Suíça e trocar de carro.

Não duvido que esse motorista tenha feito uns bicos por aí, ou até que tenha virado algumas noites pelas ruas e estradas do país (será?), mas fica claro que em  pouquíssimos países do mundo isso seria possível, ainda mais para um imigrante que nesse caso fala um alemão e um italiano bem  meia boca, não fala o francês, nem romanche, quem dirá o Inglês.  

É preciso levar em consideração também que a região onde trabalha este nosso parente europeu é muito turística, o que lhe rende algumas gorjetas generosas. St Moritz é um pequeno vilarejo que recebe um enorme fluxo financeiro impulsionado por seus hotéis de luxo, como o Suvretta House e o Palace com sua famosa estação de esqui. Por lá, circulam grandes fortunas mundiais durante todas as épocas do ano. Ambos hotéis possuem aquele ar nostálgico de idade média.

O que contam é que algum tempo atrás seus hospedes, que chegavam de barco ou carruagem, se hospedavam por largas temporadas em seus aposentos. Com isso, esses grandes palácios possuiam um ar intimista de ¨casa nostra¨ com ambientes suficientemente grandes para que mesmo em altas temporadas como as no mês de março seus hóspedes não sejam obrigados a disputar as mesas do bar, também ocupadas por turistas de outros hotéis.   


Durante uma nevasca, floresta em St Moritz

O conhecido Palace recebe uma quantidade inacreditável de Russos (afinal, vivendo em Moscou, nada mais é caro na vida), enquanto o Suvretta atinge um publico mais europeu clássico e extremamente familiar. O local de encontro destes dois grupos fica a cargo dos Alpes, que contam com mais de  60 pistas de esqui e inúmeros bares, onde só podem chegar os que praticam o esporte. Lá, o vinho quente e os chocolates com rum reinam em meio a uma música ambiente que faz os esquiadores ensaiarem alguns passos.

Com um inverno de nevascas  alternado de céu aberto e conseqüentemente muito frio, St Moritz estava cheio de aficionados que não poderiam perder os últimos resquícios para a pratica do principal esporte de inverno.  Nos próximos meses o verde chega aos vales e montanhas sem que seus turistas deixem de apreciar  no alto a neve que enfeita como chantilly as pontas de seus desenhados Alpes.  

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