Europa

Sant Miquel Del Fai

13 Fevereir , por Ana Carolina Ralston


E todos os seus aromas


Rio Rossinyol
Sant Miquel del Fai nasceu em um sábado chuvoso na minha vida. Aliás, é interessante como em Barcelona chove pouco, quase nunca, o que torna um sábado chuvoso um dia nada convencional.

Desci os quatro andares que me levam à rua Gran Via de Les Corts Catalanes ouvindo o estalar das gotas grossas nas janelas do prédio.

Eu tinha um único objetivo: comprar o nosso El País de cada dia. Apinhada com mais uma turma que teve a mesma idéia que eu debaixo do toldo da banca, percebi que a concorrência entregava algum brinde interessante naquele dia. Resolvi então dar uma chance para o El Periódico e ver qual seria o meu presente.

E era um livro, sobre as belezas de Catalunha. Distraindo-me com ele, descobri uma sessão inteira sobre Espaços naturais, lindíssima.

Foi nesse momento que decidi meu próximo destino, Sant Miquel del Fai. E quem disse que eu poderia esperar até o próximo fim-de-semana? Arrumei a mala e, junto com a trupe aventureira, lá fomos nós.

Natureza por todos os lados, lago das Rocas
São 40 minutos no volante, até onde se é obrigado a deixar o carro e seguir com o cajado na mão. Quanto mais dentro da reserva, mais forte é o cheiro de rocha molhada pelos dois Rios Rossinyol e Tenes.

A primeira paisagem, que já pode ser visa desde a serra, engloba o vale e sua alta cachoeira, apelidada de Salto de Água. São três ou quatro quedas que enchem as paredes arenosas de musgos vibrantes.

Quase incrustada nas paredes e seguindo suas cores está a pequena igreja de Sant Miquel e a Ermita de Sant Martí, ambas do século X.  As construções marcam a época Romântica Catalã, e são de extrema simplicidade. De lá fomos diretamente para o ponto auge de Sant Miquel del Fai, suas grutas. Em especial a que leva seu nome.

Barulho de água caindo pouco a pouco nos pequenos lagos em seu interior. E muito silêncio. Caminhamos entre suas paredes resfriadas pela água fresca que as encharcava  por todos os lados. Parece que tudo ali cheira a tranqüilidade.

Depois de um domingo inteiro de caminhadas e muito sol, já é hora de voltar. Na estrada, o livro já se despedaçava nas mãos dos que tentavam escolher o próximo destino. Por aí virão alguns fins-de-semana de trabalho, mas quem se importa? Planejar uma viagem é quase tão bom quanto fazê-la.

Vista de Sant Miquel del Fai, desde a serra

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