Esportes

Quando o técnico faz diferença

22 Setembro , por Marcos Caetano


Com direito a um palpite


O Campeonato Brasileiro chega à sua fase decisiva equilibrado como jamais esteve, desde que passou a ser disputado por pontos corridos. Vários times disputam o título com chances, sem contar a autêntica briga de foice pelas vagas na Libertadores e dos clubes que se engalfinham para evitar o humilhante rebaixamento. 

Nada menos do que cinco campeões nacionais estão na briga para não cair: Vasco, Fluminense, Santos e os dois atléticos. No alto da classificação, o Grêmio, que, como disse e escrevi algumas vezes – e agora os números da tabela comprovam –, não tem e jamais teve sequer uma das mãos na taça. Por várias razões. E a primeira delas é que nem o tricolor gaúcho nem qualquer outra equipe mostrou ser confiável até aqui. 

O Flamengo começou bem, chegou a abrir cinco pontos, mas caiu de produção e agora precisa fazer uma campanha quase irretocável se quiser chegar ao hexa. O Palmeiras é o favorito da hora, ainda que precise mostrar maior regularidade. O São Paulo ameaçou deslanchar diversas vezes, mas ainda não deu a arrancada que muitos esperam. 

O Cruzeiro faz uma campanha vaga-lume, que alterna momentos de brilho com tropeços inexplicáveis, desperdiçando oportunidades de colar na ponta da tabela. O Botafogo chegou a demonstrar consistência, pois deu uma louvável arrancada, mas, quando teve a chance de brigar de verdade pela liderança, tropeçou em jogos que poderiam ser classificados como menos complicados. O Vitória fica por ali: sempre na vizinhança, mas jamais dando a impressão de que ocupará a praça principal.

Além da inconsistência dos postulantes ao título, algo que não é exclusividade do líder, outras razões pesam contra o propalado favoritismo do Grêmio. A verdade é a seguinte: jamais vi um time se sagrar campeão brasileiro sem jogar bonito – ou pelo menos com algum encantamento. 

O atual time do Grêmio é impressionante na luta, ataca na base de chuveiros na área, serve-se dos contra-ataques, tem uma defesa sólida, mas não vai muito além. Sua estratégia de jogo passa fortemente por uma impressionante determinação em parar as jogadas do adversário. Uma tática que só mesmo no Brasil, onde os árbitros se recusam a dar os famosos “cartões pelo conjunto da obra”, é capaz de se mostrar eficiente. 

Para quem não conhece o termo “cartões pelo conjunto da obra”, ele se refere à medida, recomendada pela FIFA, de punir um jogador que dá seqüência a uma longa fieira de faltinhas chatas, daquelas que muitos treinadores dizem que é para “matar a jogada”. Um dia, elas matarão o futebol. Mas isso é assunto para outra coluna. 

Há sempre uma primeira vez para tudo, e é claro que os gaúchos podem perfeitamente quebrar essa tradição e dar a volta olímpica sem luzir intensamente. Só que cabe aqui um último argumento, que é o centro desta coluna: quanto mais equilibrados são os times, mais o técnico é capaz de fazer a diferença. 

No limite, se clonássemos um time dezenove vezes e fizéssemos com que os vinte clubes da primeira divisão disputassem o Brasileirão com a mesmíssima formação, o campeão seria o clube com o melhor técnico.

Num campeonato muito equilibrado como o atual, atrevo-me a dizer que um grande técnico fará a diferença. E quando olho para Celso Roth no banco do Grêmio, Vanderlei Luxemburgo no banco do Palmeiras, três pontos a separar as duas equipes e um jogo decisivo no Parque Antártica, não posso me furtar de arriscar um palpite. Um palpite com todo o risco que ele implica, mas também com toda a doce irresponsabilidade de ser apenas um palpite: o Palmeiras será campeão brasileiro.

  • E-mail Enviar por e-mail
  • Comentário Mande seu Comentário
  • Imprimir Imprimir
  • Compartilhe nos sites sociais

Marcos Caetano D0dfd31ed11fdc151001ba6fdde51147

Moda

Fd08af6c0514f1a8ff00d99124042f54

Conheça Zoe Bradley e suas impressionantes silhuetas

Veja "Moda de papel " e mais!

Viagem

6884a9783bf2936f1f1fd8aa59f198e0

Sabores reunidos em verdadeiros pólos de tradição e cultura

Veja "Mercadões pelo mundo " e mais!