Esportes

Uma áfrica

12 Outubro , por Marcos Caetano


Recomeça a Copa do Mundo para o Brasil.


 Não estranhem se falo em Copa do Mundo, ao invés de Eliminatórias. É que a FIFA, já há muitos anos, decidiu batizar de “finais” a etapa da Copa do Mundo que acontece de quatro em quatro anos, cada vez num país sede. Para nós, essa é a Copa do Mundo de verdade. Para a FIFA, é apenas a fase final da competição. Assim, para todos os efeitos, a Copa de 2010 começa a ser disputada neste final de semana pelas seleções sul-americanas. Para os países europeus, começará mais adiante, após a Eurocopa. O sofisma adotado pela FIFA fez com que todos os países possam dizer que disputam a Copa, ainda que só alguns consigam efetivamente chegar à sua fase final.

 

A FIFA também encontrou um jeito de acabar com o conceito de eliminatória. Como todos os países disputarão o que ela prefere chamar de “fase inicial”, não faz sentido falar em Eliminatórias e sim em Classificatórias para a fase seguinte, a final. Os torneios classificatórios correspondem, dessa maneira, à primeira etapa de um longo campeonato, cuja fase final será disputada na África do Sul, em 2010. Complicado, não? De qualquer forma, a essência da disputa não mudou. O Brasil jamais ficou fora da fase final. Já chegou lá de muitos jeitos: como convidado, nos longínquos tempos do Barão de Coubertin, em que havia mais vagas do que seleções interessadas em cruzar o Atlântico de navio, para um torneio que ainda longe de ser uma febre mundial; ou como campeão defensor, em épocas mais sensatas, quando o detentor do título não corria o risco de ficar fora do grande evento.

 

Na maioria das vezes, conquistamos dentro de campo o nosso lugar na grande festa. Depois das românticas primeiras edições, o número de interessados em participar da Copa superou largamente o número de vagas disponíveis. Aí surgiram as Eliminatórias, ou Classificatórias, não importa como queiramos chamá-las. Sempre que as disputamos, conseguimos nosso objetivo – às vezes com extrema facilidade, outras sob enorme sufoco. A presente edição, em princípio, não deverá trazer muitos riscos para o Brasil. As Eliminatórias Sul-Americanas, apesar do muito que se reclama delas, são das mais fáceis: quatro vagas para nove pretendentes, uma relação das mais generosas. Nem exames vestibulares para carreiras pouco badaladas são tão pouco disputados assim.

 

Dificilmente Brasil e Argentina deixarão abocanhar duas das quatro vagas, ainda que, ao contrário do que ocorria até os anos 90, hoje não tenhamos, entre as nove seleções do continente, nenhuma que pratique futebol abaixo da crítica. Hoje, até mesmo a Venezuela e o Equador, antes meros coadjuvantes e sacos de pancada, dão trabalho. O Equador, inclusive, chegou à fase final da última Copa, na Alemanha. Caiu apenas nas oitavas-de-final, diante dos donos da casa. Contra o Brasil, há o fato de que nossa seleção vive um período de transição. E períodos de transição costumam ser complexos. Um técnico ainda com pouca experiência; a ausência de veteranos que nem rendiam tão bem, mas incutiam temor nos adversários; e o vácuo deixado no comando do ataque pelo Ronaldo Fenômeno são nossos principais desafios. Ao nosso favor, a garra de um elenco com algo a provar, a determinação de Dunga e craques como Ronaldinho Gaúcho e Kaká, coadjuvantes no triunfo de 2002 que agora querem comandar o Brasil rumo à nova conquista. E Robinho, que ainda não ganhou uma Copa e acha que está na hora de buscar isso.

 

Será uma áfrica chegar à Copa da África? Começaremos a responder a pergunta tão logo soe o apito para Colômbia x Brasil, neste domingo.

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