Esportes
Campeão em setembro
05 Outubro , por Marcos Caetano
Uma matemática
O São Paulo perdeu para o Flamengo no Maracanã. E daí? A derrota prova o que todo mundo já sabia: o campeonato ainda não está matematicamente decidido. Perfeitamente. Mas desde quando o futebol tem algo a ver com ciências exatas, ainda mais com a matemática? No futebol, até a geometria e a física, que deveriam explicar os deslocamentos da bola e dos jogadores, costumam ser subvertidas. Não, a matemática não vai tirar o título do São Paulo. A psicologia, ciência que nada tem de exata, talvez tivesse mais chances de explicar um improvável fracasso do elenco tricolor.
Uma derrota fora de hora muitas vezes abala a confiança de um time, que depois passa a tropeçar seguidamente. Foi o que aconteceu com o Botafogo, especialmente após o presidente do clube ter deixado claro que acredita na hipótese de corpo mole por parte do elenco. Dois erros cometeu o bem-intencionado Bebeto na mesma semana. Em primeiro lugar, escancarou a crítica que, penso, é provavelmente verdadeira, mas cujo único efeito foi deixar os jogadores que faziam corpo mole ainda mais malemolentes. Para completar, contratou Mario Sergio, treinador cujas propostas táticas não se ajustam ao futebol vistoso que o time exibiu em seus melhores momentos no ano. Não creio que o perfil áspero do treinador devolva a união e a alegria a um grupo em frangalhos.
O fator psicológico pode explicar a derrocada do Botafogo, mas não deve causar estragos no São Paulo. Um grupo tão experiente, de um clube que não sente pressão por novas conquistas – tantas são as que já possui –, dificilmente se deixará abater por uma simples derrota, fora de casa, diante de um grande clube, apoiado por 60 mil fanáticos torcedores. A propósito do Flamengo, tenho um amigo, rubro-negro roxo, que apostou muito dinheiro, garantindo que o clube terminaria o campeonato na frente do Botafogo. Como fez as apostas quando o Rubro-Negro estava na zona de rebaixamento e o rival na liderança, as bases das apostas são bizarras: cinco para um, dez para um. O sujeito já anda pelas ruas gargalhando, contabilizando o cascalho que espera ganhar.
O que dá ao São Paulo a certeza inquebrantável do título não é a matemática nem a psicologia. O que me permite vaticinar que o São Paulo se fez pentacampeão brasileiro ainda na rodada da semana passada é a fragilidade de seus perseguidores. Mesmo que surjam outros cinco flamengos no caminho dos comandados de Muricy, alguém acredita que Cruzeiro, Santos ou Grêmio sejam capazes de engatar uma seqüência de cinco vitórias? Dificilmente.
O São Paulo tornou-se campeão ainda em setembro. Nunca, na história dos campeonatos nacionais, alguém botou a mão na taça com tamanha antecipação. Como os campeonatos de pontos corridos vieram para ficar, temos que nos acostumar com eventos dessa natureza – e tratar de buscar emoção em outros setores da tabela de classificação. A zona de rebaixamento, por exemplo. Lá sim, a briga está boa – e com gente grande, campeões como o Corinthians, o Galo e o Inter.
Recordo-me que logo no início do campeonato escrevi que, lamentavelmente, o Internacional dava a impressão de que iria brigar apenas para fugir do rebaixamento. Recebi mais de uma centena de e-mails de colorados indignados, garantindo que o clube brigaria pelo título ou pela Libertadores. Diante de palavras duras, xingamentos e até ameaças de morte, respondi a todos que meu objetivo não era diminuir os gaúchos, apenas alertá-los. Hoje, a nove rodadas do fim, o Inter continua lutando para não cair. Acho que tem forças para escapar, mas o título e a Libertadores ficaram longe, muito longe...
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