Esportes

A falta que uma copa faz

17 Junho 20 , por Marcos Caetano


Mais profecias, mais acertos!


Minha profecia de um Corinthians campeão e com vaga assegurada na Libertadores 2008 transformou-se em pó na última quarta-feira. A bravura, a organização e o bom futebol do Timão também desapareceram na Ilha do Retiro.

Foi uma das mais tristes derrotas da gloriosa história do alvinegro paulista – e o mais curioso é que, ao contrário do que imaginavam os que apostavam no triunfo recifense, o Leão do Norte esteve longe, muito longe de uma grande exibição, uma exibição de campeão.

Na verdade, até achar o primeiro gol, o time de Nelsinho Baptista não havia chutado uma mísera bola em gol. O jogo era pachorrento, do jeitinho que o Corinthians precisava. Cheguei a comentar com o meu cunhado que aquele seria o título menos emocionante da história.

Um chute enviesado do apenas esforçado Carlinhos Bala, que passou espremido entre o gramado e a mão do promissor goleiro Felipe, foi morrer no fundo das redes, aos 33 minutos do primeiro tempo – e mudou o destino da partida. Um gol: foi o que bastou para desabar a autoconfiança dos jogadores do Corinthians. Mais estranho do que o começo apático do Sport, só a reação dos comandados de Mano Menezes após o gol.

Qualquer time com um pouco mais de equilíbrio emocional faria o seguinte cálculo: esse 1 x 0 ainda é nosso, fizemos gol em todas as partidas dentro e fora de casa na competição e, se marcarmos um golzinho, eles terão que fazer três para ficar com o título. Não foi o que ocorreu. Martelou-se tanto na cabeça dos jogadores do Corinthians que aquele gol nos acréscimos do Morumbi lhes custaria o título que eles acabaram acreditando na profecia.

Por conta do gol, o Corinthians, que tinha um bom contra-ataque até então, recuou demasiadamente, enquanto o apagado Sport partiu para o ataque, mesmo sem brilho técnico. Brilho técnico, aliás, foi algo que passou longe da Ilha do Retiro. Justamente quando Mano Menezes rezava pelo final do primeiro tempo e pela chance de arrumar a cabeça dos jogadores no intervalo, veio a grande falha de Felipe.

Não é justo culpar o goleiro que levou o time até a sonhada final pela derrota, mas não consigo não culpá-lo por aquele lance. Por aquele lance – mas não pela derrota. A derrota ocorreu porque, a partir do primeiro gol, os jogadores do Corinthians vislumbraram a tragédia. Como um predador que fareja a adrenalina do medo no sangue das vítimas, o Sport percebeu que o jogo mental já estava ganho. E aí só precisou manter a atitude até o apito final.

Pelo que jogou na decisão, o Corinthians não merecia o título. Mas não posso deixar de dizer que, sim, houve pênalti do goleiro Magrão em Acosta, no final da partida. Um pênalti bastante claro. Um pênalti que poucos juizes têm coragem de marcar contra o time da casa. Alicio Pena Júnior falhou e prejudicou a equipe visitante. Se, àquela altura, o Corinthians não tinha méritos para ser merecedor da vitória, pouco importa. Se o pênalti tivesse sido marcado e convertido, o Timão não seria nem o primeiro nem o último campeão sem brilho da história.

O fato é que a Copa do Brasil fará falta. Não que as estantes do clube tenham carência de troféus. Mas ela seria importante para que time e torcida recuperassem a auto-estima. Sem a copa, o Corinthians volta a ser uma equipe da segunda divisão que luta para voltar à primeira. Rezo para que a fúria irresponsável de certos torcedores não aniquile qualquer reserva de motivação dos jogadores. Não se iludam: caberá a eles mesmos reconduzir o clube ao lugar que merece.


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