Esportes
Sampras x Federer
17 Março 2 , por Marcos Caetano
Um duelo de gerações
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Seria Sampras o maior tenista da história? |
No fim do jogo, o placar mostrava 6-3, 6-7 (4/7), 7-6 (8/6) para Federer. Mas, na prática, ninguém teve dúvida sobre quem foi o melhor. Sampras, aposentado e dez anos mais velho do que seu adversário, provou que se tivesse continuado na ativa não teria perdido o cetro. Vale lembrar que ele venceu Federer em janeiro deste ano, em outro jogo exibição, disputado em Macau.
Não foi a primeira vez que vi Sampras provar sua classe. Nove de setembro de 2001: dois dias antes do episódio que mudou o humor do mundo, eu estava justamente em Nova York, assistindo à final do US Open. Na quadra do impressionante estádio Arthur Ashe, estavam frente a frente o imberbe Lleyton Hewitt e o veteraníssimo Sampras.
Minha expectativa era ver o que seria o canto do cisne do norte-americano, mas o que acabei vendo foi uma exibição de gala do australiano, que com pernas jovens e velozes massacrou seu oponente com um contundente 3 x 0. Saí de lá cabisbaixo, certo de que os dias de glória do legendário “Pistol” Pete haviam terminado.
Ledo engano. Um ano depois, com a cidade de Nova York ainda lambendo feridas físicas e psicológicas que o absurdo atentado lhe havia imposto, Sampras estava novamente na final do US Open, diante de outra legenda: Andre Agassi.
Em um jogo eletrizante, tecnicamente perfeito e disputado ponto a ponto, Sampras bateu Agassi por três sets a um e conseguiu o título que tinha o aspecto de um final de conto de fadas: o desfecho perfeito para uma carreira perfeita. Fiquei novamente cabisbaixo, pois imaginei que aquela seria a última partida da carreira do atleta que, por seu estilo elegante, foi alcunhado o Rei do Swing. Dessa vez eu estava certo.
Os números de Sampras impressionam, mesmo com Federer a meio caminho de pulverizá-los – diante, cabe a ressalva, de adversários mais fracos. Com histórico tão contundente, terá sido Sampras o maior tenista da história? “Provavelmente não” – disse o veterano comentarista Bud Collins. “Mas ele é um grande campeão e o jogador do século em Wimbledon. Ele foi para o tênis o que Joe Di Maggio foi para o beisebol, com a mesma personalidade, a mesma classe. E a maneira como jogava – o clássico saque e voleio – poderá nunca mais ser vista. Fiquei triste de vê-lo partir” – completou Collins.
Sampras foi um dos maiores gênios da história do tênis e, além disso, um autêntico cavalheiro do esporte – o que talvez seja mais importante. Ele se despediu do tênis da mesma maneira que se portava em quadra: com roupas discretíssimas, modéstia, profissionalismo, autocontrole, serenidade e pouco barulho para um mundo esportivo tão acostumado com estrelismos e vedetes de todos os naipes e quilates.
Ele será lembrado como um sujeito extraordinariamente polido (que certa vez chegou a ceder seu lugar na primeira classe para Barry Bonds, craque do beisebol, que não o reconheceu e exigiu o assento) e que amava seu jogo. “Uma coisa da qual me orgulho é que não mudei ao longo dos anos” – disse Sampras, antes de se retirar. “Eu fui fiel a mim mesmo”. Continua sendo. Federer que o diga.
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