Esportes

Tudo muda

28 Janeiro , por Marcos Caetano


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Com o feriado em São Paulo, aproveito para ver a quantas anda o meu Rio de Janeiro. Aqui chegando, percebo que o tempo chuvoso, prometido por todos os institutos de meteorologia, não foi uma realidade - ao menos no Principado do Leblon. Foi uma sexta-feira que variou entre o sol forte e o mormaço. Aquele mormaço carioca, que tosta os visitantes desprovidos de um bom protetor solar, mesmo se esse visitante for um carioca expatriado e, portanto, desacostumado à inclemência do verão daqui.

 

O verão, entretanto, esteve longe de ser o maior problema deste cronista, que, no momento em que tecla estas linhas, praticamente toma loção pós-sol de canudinho. Duro mesmo foi ligar o computador e descobrir que os óculos de leitura - aparato inevitável para quem acaba de passar dos 40 - haviam ficado em São Paulo. Quatro farmácias e cinco óticas depois, já com o prazo de envio da coluna quase estourado, consegui um par de óculos semi-descartáveis, que quebraram gloriosamente o meu galho. Muda o tempo, mudam os planos, mas nada muda mais do que o estilo de jogar dos clubes brasileiros de uma temporada para a outra.

 

Tomemos por exemplo os grandes clubes das duas cidades ligadas pela Ponte Aérea. Alguém consegue traçar paralelo entre os quatro grandes de São Paulo e Rio entre o final da temporada 2007 e o iniciozinho da atual temporada? Vejam o Santos: vice-campeão brasileiro no ano passado e com uma tristonha campanha no Paulistão. Por mais que eu me esforce, não consigo ver no Santos de 2008 qualquer traço do Santos de 2007. E que tal o Fluminense? Dono da segunda melhor defesa do Campeonato Brasileiro da temporada passada e de um ataque que não era lá essas coisas, o Tricolor agora tem um ataque da pesada e um setor defensivo que ainda inspira cuidados.

 

O Flamengo talvez seja o clube que, até aqui, jogou mais parecido com o que costumava apresentar. Mas, ainda assim, é diferente. Parece mais solto e confiante. O Flamengo de 2008 não é promissor por acaso. Trata-se de um time que soube manter a base e buscou reforços de forma inteligente. Seu rival de toda a vida, o Fluminense, investiu bem mais, mas promoveu mudanças radicais em sua forma de atuar. Tudo leva a crer que o Flu terá fôlego para lutar por títulos, mas o time ainda é imprevisível. Enquanto isso, o Botafogo, com um elenco bem mais limitado do que o do ano passado, vai bem até aqui. O mesmo não se pode dizer do Vasco, que estreou de forma preocupante e decidiu buscar na velha fórmula Romário-e-Edmundo a solução para seus problemas.

 

O São Paulo, como era de se esperar, está na briga pelo título. Mas, ainda que reforçado por um atacante de nível internacional - Adriano -, o pentacampeão brasileiro ainda não conseguiu dar mostras de que será a equipe hegemônica do ano passado. Já o Corinthians, apesar da feia derrota para o São Caetano, vai desenvolvendo padrão e deixa no torcedor a impressão de que não repetirá o vexame do Brasileirão 2007. O Palmeiras venceu seus dois confrontos contra times do interior, um deles o complicado Marília, e perdeu pontos apenas no clássico contra o Santos. Assim como o arqui-rival alvinegro, dificilmente o Verdão chegará ao final do ano com números piores do que os da última temporada.

 

As mudanças radicais na forma de atuar dos clubes refletem a caótica atuação de seus dirigentes, que a cada ano mandam embora meio plantel para contratar outra batelada de reforços. Resta-me o consolo de ao menos uma coisa que não mudou: o Rio de Janeiro continua lindo. São Paulo idem.

 

 

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