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Esportes
Tentações das contratações
11 Janeiro , por Marcos Caetano
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Os campeonatos estaduais se aproximam e, com eles, o momento em que os clubes encerrarão as contratações para a temporada de 2008. Há muito tempo convencionou-se que toda e qualquer contratação feita por um clube entre temporadas seria chamada pelo apelido otimista de “reforço”. Se os reforços serão mesmo reforços ou apenas pesos-mortos, só saberemos depois. Se metade dos jogadores contratados vier mesmo a se constituir em reforços para seus clubes, estes ficarão no lucro. A experiência mostra que, apesar das manjadas declarações triunfais dos novos contratados, a maior parte deles não “virá para somar” – como gostam de repetir nas entrevistas.
Os clubes brasileiros, mais até do que os europeus, têm o hábito de mandar embora boa parte do elenco (a famosa “barca”) a cada final de temporada. Apenas para, em seguida, contratar outra batelada de jogadores. Se essa fosse uma prática exclusiva de clubes que concluíram uma péssima temporada, eu até entenderia. Poderia aconselhar que é requerido um mínimo de padrão para que mudanças sejam efetivas, mas entenderia. Jogou mal, passa a régua, vende todo mundo e começa tudo de novo. No meio empresarial, uma decisão assim seria irresponsável e catastrófica, mas, no mundo da bola, vá lá: às vezes funciona. Só que o curioso é que, mesmo os clubes que finalizaram uma temporada vitoriosa, têm a mesma comichão de trocar meio plantel a cada final de ano.
Outra tentação irresistível dos cartolas é a da contratação de grandes nomes, mesmo quando esses nomes se tornaram grandes em função de confusões extra-campo, muito mais do que pelo que vêm produzindo com a bola nos pés. Em vez de contratar dois ou três atletas para reforçar de fato as posições débeis da equipe, os cartolas quase sempre preferem trazer o grande nome – que, muitas vezes, acabará a temporada no banco de reservas ou em casa, de chinelo nos pés e com o salário gordo na conta.
Não param por aí os fetiches dos dirigentes. Outra fixação deles é a dos atacantes. Se olharmos a tabela do Brasileirão 2007, constataremos que boa parte dos clubes que disputaram a competição tinha defesa sofrível. Entretanto, quase todos eles só falaram em contratar “matadores”. Quando muito, jogadores de meio-campo. Contratação de zagueiros e goleiros, infelizmente, não dá ibope. No entanto, observem o São Paulo da última temporada, campeão brasileiro com sobras: uma equipe cujas fundações eram um goleiro fora de série e uma defesa extraordinária. Ninguém pensou em montar uma defesa como a do São Paulo, mas todo mundo parece disposto a pagar caro para ter um ataque como o do campeão – mesmo que, lá atrás, a zaga continue entregando o ouro.
Para concluir, uma última mania dos responsáveis pelas contratações nos clubes: eles parecem se sentir mais aliviados quando torram dinheiro para trazer “reforços” do que para manter jogadores já testados e aprovados. Muitos times contrataram meia dúzia de reforços caros, sem sequer cogitar uma oferta irrecusável para os atletas que receberam boas propostas do exterior ou de clubes rivais no Brasil. Nada é mais valioso do que um jogador já testado e aprovado com a camisa do clube, que conta com o carinho da torcida. Jogadores assim, são dinheiro vivo. Reforços, para continuar no jargão das finanças, são opções de risco. Muito risco.
Evitei citar casos específicos porque não acho justo julgar o trabalho de jogadores e dirigentes antes da bola rolar. Mas não serão poucos os torcedores e dirigentes que chegarão ao final da temporada choramingando assim: “Ah, se a gente tivesse contratado um bom zagueiro, um bom goleiro, ou segurado o nosso destaque do ano passado...”.
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