Esportes

Maradoninha abandonado

07 Janeiro , por Marcos Caetano


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No final dos anos 90, o Fluminense disputava a desprestigiada terceira divisão do futebol nacional, mas parecia ter ao menos uma coisa importante para comemorar. Ninguém menos do que Carlos Alberto Parreira, técnico campeão do mundo, vaticinou que no elenco tricolor havia um futuro grande craque, baixinho e canhoto, cujo estilo lembrava o de Maradona: Roger. Graças à habilidade do garoto, o Flu conquistou o título da Terceirona e, por conta de uma manobra de bastidores, foi catapultado de volta à primeira divisão. A carreira de Roger, todos imaginavam, seria igualmente catapultada rumo à glória no exterior e na Seleção.
 
Uma década depois, Roger está no Brasil – e está desempregado. Dispensado pelo Corinthians, com empréstimo não renovado pelo Flamengo e desprezado por equipes como Vasco, Cruzeiro e Botafogo, o jogador de apenas 29 anos, idade na qual o Maradona original atingiu o ápice da forma técnica, vê sua carreira chegar a uma encruzilhada. O que levou um talento promissor a tão triste situação foi uma sucessão de erros de avaliação, quase todos de responsabilidade do próprio atleta, a começar por uma transferência precipitada para o Benfica. Portugal está longe de ser um dos principais centros do futebol europeu, como Itália, Espanha e Inglaterra. E o Benfica está longe de ser o mais poderoso clube português, título que pertence ao Porto.
 
País errado, clube errado. Culpa dos cartolas? Também. Mas nenhum jogador assina contrato se não estiver disposto. E mesmo jogando no clube errado e no país errado, o craque poderia ter se destacado, mas foi justamente aí que voltou a se manifestar uma das características que mancharam sua carreira: a inconstância. Desde os tempos de Fluminense que Roger joga de forma errática, alternando grandes atuações com jornadas apagadas. Numa mesma partida, o craque é capaz de combinar quinze minutos de genialidade com quinze minutos do mais puro tédio. Para ele, parece tão comum fazer um gol olímpico no Parque Antártica ou um gol do meio de campo no Morumbi quanto desaparecer em momentos críticos de um clássico. É difícil imaginar as razões que levam Roger a agir assim, mas intuo que isso ocorra porque ele parece considerar o futebol apenas como um meio de conseguir coisas que julga mais importantes, como dinheiro e, sobretudo, fama.
 
Poucas vezes vemos Roger tão à vontade num campo de futebol como quando ele está em um de seus ambientes favoritos: restaurantes elegantes ou eventos badalados, ao lado de namoradas famosas (Adriane Galisteu e Deborah Secco, para ficarmos nas mais recentes). Ele não é o primeiro e nem será o último jogador de futebol com fixação em loiras famosas. E não há nada de errado no fato dele gostar dos holofotes. Sou contra o patrulhamento da vida pessoal dos atletas e julgo-os pelo que produzem em campo. Mas, ao contrário da maioria de seus companheiros de profissão, Roger parece não entender que só teve acesso ao mundo dos ricos e famosos pelo que fez com a bola nos pés. E certamente não percebe que, sem jogar futebol, dificilmente continuará cercado de pessoas famosas – especialmente das que preferem namorar pessoas igualmente famosas.
 
Se Roger quiser mesmo ser festejado no mundo da televisão sem jogar bola, que faça um excelente curso de teatro ou jornalismo. Mas se quer brilhar na telinha sem ter talento de artista, é bom encontrar um clube e jogar muito bem não uma ou duas partidas – mas duas ou três temporadas. Talento de artista ela não tem, mas talento futebolístico possui de sobra. Ainda há tempo para um recomeço, mas o tempo não esperará pelo juízo do rapaz. Portanto, acorda Maradoninha!

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