Cinema
L.A.: A cidade onde os fracos não tem vez..
04 Abril 20 , por Joana Prata
Does this town need a hug?
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Depois da tempestade |
A nuvem escura que parecia pairar sobre a indústria cinematográfica na Cidade dos Anjos passou... O fim da greve dos roteiristas semanas antes da cerimônia mais importante do cinema norte-americano, tornou possível o retorno (de jedi? Ou ainda haverá mais problemas no horizonte?) do glamour à palavra “Hollywood”.
A noite do Oscar trouxe de volta as estrelas com jóias e vestidos deslumbrantes, e mais importante: realizadores e estrelas tinham um sorriso no rosto. Sim, um sorriso! Porque após tantos momentos claustrofóbicos nos últimos meses, Hollywood voltou a respirar. E sorrir.
No entanto, percebendo a delicadeza atual da indústria em seu país, os americanos pareceram finalmente compartilhar a bola para que outros países também pudessem brincar. Como a esperteza é uma característica da indústria do entretenimento norte-americano, reis do marketing pessoal, a Academia esse ano ofereceu, como nunca antes , diversas estatuetas aos colegas europeus. Talvez como forma de aliança, talvez simplesmente por acaso da vida. No entanto, é inegável que os desempenhos da atriz Marion Cotillard (Piaf) e do ator Javier Bardem (Onde os Fracos Não Tem Vez), prêmios de melhor atriz e melhor ator coadjuvante respectivamente, tiraram o fôlego de platéias e críticos.
Confesso que fiquei estarrecida (a ponto de considerar uma carreira de contadora!), com as atuações de Cottilard, Bardem, Daniel Day-Lewis e Cate Blachett (em Elizabeth: A Era de Ouro). Como atriz que sou, não podia deixar de comentar o trabalho desses atores fenomenais, e tentar extrair um pouco do sumo de suas genialidades particulares. Apreciadora do método físico de interpretação, acredito que nunca havia notado em um mesmo ano trabalhos ao mesmo tempo tão diferentes e tão similares em sua essência. Cate Blachett há muito é celebrada por suas técnicas físicas. Esse ano porém, seu trabalho físico ao encarnar novamente a Rainha Elizabeth foi de uma sutileza tocante. Já a incrível Edith Piaf de Cottilard se estabeleceu em sua força/sensibilidade, poder/submissão, loucura/sanidade - características marcantes da incrível cantora francesa. Nas cenas em que Piaf já está bastante doente e envelhecida, Marion Cottilard demonstra o porquê de ser uma das atrizes mais celebradas atualmente na França. Já Daniel Day-Lewis, como de praxe desde Meu Pé Esquerdo, leva a questão física até seu último nível, trabalhando com a voz, a postura, o gestual e o andar para dar vida a seus personagens, levando novamente o Oscar de melhor ator pra casa ao interpretar o maníaco por petróleo do início do século no Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson. Javier Bardem, no entanto, que alcançou a fama internacional num papel onde permanecia imóvel durante todo o filme e é conhecido por sua intensidade dramática e capacidade de se tornar irreconhecível de um papel para o outro, levou a estatueta pela personificação da violência em Onde os Fracos Não Tem Vez.
Senti muito por Desejo e Reparação (que estréia em breve no Brasil), – na minha opinião um filmão – que acabou voltando pra casa somente com o Oscar de Melhor Trilha Original. E fora esse filme, que concorria em 9 categorias, incluindo Melhor Filme, os outros concorrentes eram bem variados – e intensos! Vide lista de concorrentes a Melhor Filme-, fazendo um mosaico de filmes e roteiros que acabaram por ser bem característicos da semi-bagunça que acontecia em Hollywood. E pra finalizar citando o apresentador desse ano James Stewart:
“Does this town need a hug?”.
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