Cinema
O vigarista do ano
24 Setembro , por Redação
Richard Gere impressiona e muito vivendo o vigarista Clifford Irving
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Cartaz do filme "O vigarista do ano" |
Richard Gere dá forma ao vigarista com um charme quase prepotente e um afiado timing pra comédia, apresentando um dos melhores -senão o melhor- momento de sua carreira. Porém, apesar da excelente interpretação de Gere, o personagem peca um pouco na humanidade, visto que em pouquíssimos momentos nos preocupamos com o que pode acontecer com Clifford. No entanto, sua excelente interpretação é inegável e o ponto alto de Gere como Clifford Irving é a cena onde o vigarista grava uma entrevista com Howard Hughes onde ele faz tanto a voz do entrevistador, ele mesmo, quanto a voz (com todas as entonações sotaques e sonoridade) do milionário. Essa cena surpreende pela versatilidade e desprendimento de um Gere nunca antes visto no cinema. Alfred Molina como Dick Suskind, amigo e cúmplice de Irving (Gere) dá uma ótima sustentação para que Gere possa subir o próximo degrau que deve ser subido pelo protagonista. Os momentos entre Molina e Gere no filme são sempre muito dinâmicos e seus diálogos fluem de uma maneira bastante natural. O elenco ainda conta com ótimas interpretações de Macia Gay Harden como Edith Irving, Stanley Tucci e Hope Davis.
O roteiro de William Wheeler é bem construído e consegue amarrar a trama em toda sua complexidade. Além do trama principal do esquema da venda do livro, ainda existe a sub-trama do casamento de Irving que é abalado pela presença da sua ex-amante (Julie Delpy, de “Antes do Pôr-do-Sol”, como uma divertida e amoral baronesa européia) e a luta interna de Irving que acaba sendo vítima do universo criado por ele mesmo. Claro que a figura de Howard Hughes é uma entidade onipresente que dá um tom sombrio ao drama de Irving, já que o escritor começa a ter um misto de delírios e experiências concretas onde o pessoal de Hughes o persegue. Inclusive uma das sub-tramas sugere que Irving que foi usado por Hughes para através de seu livro forçar Nixon, então presidente dos Estados Unidos, mudar as leis para poder salvar uma de suas empresas e também que a paranóia de Nixon quanto ao conteúdo do livro de Irving motivou o início das investigações do Caso Watergate.
Quanto ao aspecto técnico, a fotografia e o som aliados ao figurino transportam o espectador totalmente para os anos 70 e criam toda a atmosfera que essa época remete. A fotografia especialmente se destaca, e a parceria de longa data entre o diretor Lasse Hallstrӧm e o diretor de fotografia Oliver Stapleton impressiona mais uma vez ao potencializar o uso das diferentes lentes e enquadramentos como uma poderosa arma para contar a história.
Após alguns maus momentos com a crítica, Lasse Hallstrӧm volta à boa forma de “Gilbert Grape- Aprendiz de sonhador”, “Chocolate” e “Regras da Vida” ao combinar seu estilo europeu com as técnicas dramaturgicas americanas e alcançar mais uma vez uma deliciosa mistura que tanto agrada o público e a crítica.











