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Gol de salto alto
A força da hipocrisia
28 Novembro , por Renata Rondino
Verdade seja dita: roupa suja se lava em casa, e não pela imprensa
Edmílson resolveu escancarar algumas verdades do Barcelona em uma entrevista à emissora espanhola “TV3”, e começou a levar ferroadas por todos os lados. Imprensa, técnico e dirigentes reagiram com feito um furacão. Mexeu em casa de marimbondo, já que o Barcelona vem sendo uma das grandes estrelas do futebol nos últimos anos. Se não em campo, pelo menos em marketing.
Verdade seja dita: roupa suja se lava em casa, e não pela imprensa. Porém, é fato que, daquele monte de roupa, nenhuma delas era um grande segredo. Tanto é que a torcida ficou do lado do volante.
O que disse o jogador brasileiro que tanto mexeu com os brios da mídia? Primeiro, que o time perdeu fôlego nas últimas temporadas, já não tem a mesma garra de antes, e que muitos jogadores estão mais preocupados com relógios, celulares e carros, do que com o time. Sobrou também para o técnico Frank Rijkaard e seu esquema de jogo sem padrão. “Em dois anos, ganhamos dois Campeonatos Espanhóis e uma Liga dos Campeões jogando no 4-3-3. Mas a gente jogava até a morte”, disse Edmílson.
No mais, o volante defendeu Ronaldinho Gaúcho, dizendo que o atacante passa por uma “fase difícil”, e que não deve sair do time. E que, na equipe do Barcelona, existem pessoas boas e más. “No nosso vestiário há muita gente boa, mas outros que parecem que não querem nada.”
Dizer que há corpo mole entre os jogadores do Barcelona é algo tão ofensivo, a ponto de receber a manchete “Por que não se cala?” de “O Mundo Deportivo”?
Rijkaard, companheiros de equipe e dirigentes trataram de abafar o caso, amenizando as declarações, como se estivesse sendo aberta uma verdadeira Caixa de Pandora. Oras, a falta de empenho da equipe é visível a qualquer torcedor mediano.
Também é verdade que Ronaldinho está abaixo do potencial e que, como em todo e qualquer time, há ovelhas negras entre os atletas e comissão técnica.
Aliás, o deslumbramento de atletas é um dos efeitos colaterais do grande trabalho de marketing feito pelo Barcelona nos últimos tempos. Jogar no time de “galácticos”, a equipe que conquistava títulos e dava espetáculos, com salários astronômicos e tanto paparico da mídia... é natural que alguns passem a achar que isso é mais importante do que dar sangue em campo.
Só não sabia que esse trabalho incluía obrigar todo mundo a usar óculos cor-de-rosa, para enxergar realidades em outro tom.
Seleção - Assistir aos jogos do Brasil durante a Copa do Mundo do ano passado era um martírio. Nada de consistente em campo - apesar da insistência doentia da mídia em idolatrar os jogadores canarinhos -, desempenhos pífios, esquema tático fraco. Com a derrota para a França e a eliminação, por alguns momentos foi possível imaginar que não poderia ser pior.
Mas isso foi até acompanhar a atuação a equipe de Dunga...
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