Gol de salto alto

Acabou em pizza antes de começar

08 Novembro , por Renata Rondino


O futebol brasileiro decidiu tomar a decisão mais lógica: derrubar outra CPI


Quando se imagina que há uma mínima possibilidade de as coisas começarem a mudar para melhor no futebol brasileiro, a realidade nos mostra que tudo não passa de vã esperança. A criação de uma CPI Mista do Corinthians, para apurar todas as irregularidades cometidas pelo clube – e por outros –, deixou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de cabelos em pé. Tendo a certeza absoluta de que, embora CPIs sempre terminem sem culpados ou punições, sobrariam denúncias de falcatruas para todos os lados, a entidade máxima do futebol brasileiro decidiu tomar a decisão mais lógica: derrubá-la.

O requerimento que pedia a instalação da CPI  foi protocolado com 209 assinaturas dos deputados. Momentos antes de sua leitura no plenário do Congresso, esse número caiu para 168 assinaturas, número insuficiente para instalar a comissão. Misteriosamente, 41 parlamentares mudaram de idéia, do nada.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) chegou a afirmar que a CBF teme as investigações porque sabe que elas chegarão até a própria entidade. “Por que um parlamentar sucumbir à pressão de um cartola?", indagou o senador, que era até então favorável à instalação da CPI.

A CPI começaria pelo contrato firmado entre Corinthians e MSI e iria atrás de outras irregularidades financeiras que são cometidas pelos clubes de futebol. Ou alguém acredita que o time do Parque São Jorge é o único a praticar atos ilícitos? A começar pela postura de pressão da CBF sobre os parlamentares, dá pra perceber que não.

O mais irônico disso tudo é que, das 41 assinaturas que “desapareceram”, nada menos do que 17 são de parlamentares mineiros. São Paulo aparece em segundo lugar, com 8 deputados vira-casaca. O Rio de Janeiro, que em tese a desorganização do futebol parece mais evidente que os demais Estados, teve apenas 5.
    
A Copa do Mundo é nossa – Nunca fui uma otimista com o esporte brasileiro, muito menos com o futebol. Portanto, não haveria por que comemorar o fato do Brasil ter conquistado o direito de sediar a Copa de 2014.

Não acredito, sinceramente, que o Brasil seja capaz de montar uma estrutura minimamente decente para sediar os jogos. Mesmo que a Fifa seja bem exigente e não admita nada abaixo dos critérios estabelecidos, eu duvido que o quebra-galho não acabe se transformando na tônica das obras a serem executadas.

Pelos jogos PanAmericanos foi possível perceber como as coisas vão funcionar. Pela desorganização, pelo desvio de verbas, pelos atrasos, pela falta de profissionalismo. E sempre com aquela velha desculpa: “No final das contas, deu tudo certo e ninguém reclamou de nada!”

É óbvio que Pan é Pan, Copa é Copa. Mas quem não tem disciplina ou faz com capricho as coisas pequenas, por que teria com as grandes? Por que o retorno financeiro seria muito maior? Aí é que mora o perigo. Quando a promessa é de lucros muito maiores, parece que funciona como estímulo a dar mais “jeitinhos”.

Não precisa ser 100%, precisa parecer 100%. Esse é o segredo de quem quer levar vantagem.


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